sexta-feira, 23 de maio de 2014

Intuindo, percebendo, confiando...


Em meados do dia 20 de setembro de 2012, viajei para Brasília. Fui para o encontro de 20 anos do CIT (Colégio Internacional dos Terapeutas). Eu e mais dois amigos apenas confiávamos em nosso desejo de estar presente neste encontro, fomos agarrando as oportunidades que nos levariam até Brasília... Tínhamos pouco dinheiro, mas muito desejo... O Universo conspirou ao nosso favor e lá estivemos.

E por que estaria eu agora revivendo essa história?

Por que foi neste encontro que eu senti que algo em mim mudaria... Não sabia muito bem o que e nem como... Mas todas as sábias palavras que ouvi, reverberavam em mim e faziam tanto sentido que a partir daquilo eu tinha um novo caminho a trilhar... Eu não imaginava que caminho seria este, apenas sentia o novo germinando em mim. Vivi dias mágicos, poucos, mas intensos... Muitas coisas aconteceram, e confesso que apenas de lembrar o coração acelera e explode de alegria e felicidade! Foi lá também, que por vontade própria eu quase raspei o cabelo, havia uma desejo verdadeiro de ser careca.  


Palavras doces tocaram minha alma,
Renovei meus votos com a espiritualidade,
Mergulhei em águas frias,
Aqueci-me em abraços calorosos,
Hesitei em acreditar que era merecedora de tanta benção.
Dancei o momento.
E ganhei asas para voar...

Lembro-me que no avião de volta a São Paulo, sozinha, eu desenhava mandalas e vislumbrava um novo mundo para mim... Novos desejos, novos planos e uma vontade imensa de fazer tudo novo... Lembrando, isso tudo era muito poético, lindo, mas eu não tinha noção por onde deveria começar.

Eis que 3 meses depois deste evento, eu recebo o diagnóstico de Câncer de Mama... E o que eu havia intuído aconteceu... Algo em mim mudou e eu trilhei um novo caminho.

E lá em Brasília, foi plantado o germe da plenitude em mim, no encantamento da sede da Unipaz na Granja do Ipê, na tranquilidade da Casa do Silêncio, na amorosidade dos encontros e nas águas purificantes da cachoeira.  

Como nada nessa vida é por acaso, linda sincronia a primeira viagem do solo “Inquieta Razão” ser em Brasília. E o que eu sinto é que estarei retornando para validar os votos de mudanças que intui em 2012, pois ainda sem ter muita consciência de tudo que mudou, sei que estou trilhando um novo e belo caminho, repleto de gratidão e confiança.

3°Mostra de Dança “Solos na Sala”, me apresento dias 20 e 21 de junho.
Quando estiver mais perto eu posto mais informações.


sexta-feira, 16 de maio de 2014

FIM...

O dia começou e só de lembrar o que acontecerá eu já me emociono

ACABOU. Fim das sessões de Herceptin! 
Os dias de risadas e cochilos no AC. Camargo chegam ao fim!
Sentirei saudade deste dia de descanso,
Dos cuidados das enfermeiras,
Das conversas malucas que insistia em ter dopada...

Hoje faço a última aplicação, e só de pensar o coração acelera.
Fim de mais uma etapa do tratamento. 
Cada vez mais eu me distancio dos medicamentos.
Da rotina do hospital.
Mas fica a saudade de todos aqueles que cuidaram de mim lá dentro. 

...
...
...

Ainda nem sai de casa... E já estou emotiva e sensível em saber que hoje será uma despedida.
Não apenas da equipe da enfermagem, mas de um ciclo de medicações,
De sexta-feiras dopadas, de dias aparentemente "perdidos".

Um post incompleto, com palavras engasgadas, com um choro contido,
Mas com palavras repletas de esperança! 


quinta-feira, 8 de maio de 2014

Inquieta Razão em movimento...

Inquieta Razão é um trabalho inspirado nas Quatro Estações do ano como fases vivenciadas pela própria bailarina no processo de cura de um diagnóstico de Câncer de Mama. A escolha de dançar sua dor é uma forma de despertar de um sono profundo, que a fez entrar em colapso e desordenadamente células se multiplicaram ameaçando sua existência. É a partir dos quatro elementos que o movimento da vida pulsa novamente, levando para cena suas próprias lembranças revividas em seu corpo, pois o que sentiu jamais será esquecido. 


sexta-feira, 25 de abril de 2014

Contínua...


Eu que pensei que estivesse entregue a isso tudo,
Vejo que não, hesito.
Um escorregão e eu chego a duvidar do que a vida tem para me oferecer.
Os fantasmas da doença me fazem questionar a vida, a cura, e até Deus.
Chego a pensar friamente no fim...
Um susto... Um sinal de alerta... Um recomeço...
Talvez preciso aprender com as leoas a usar meu instinto de proteção,
Reagir as adversidades da vida com mais força e coragem.
Não permitir que me ataquem, e que façam comigo aquilo que querem!
A menina frágil e amedrontada ainda mora dentro de mim,
E de vez em quando, cisma em aparecer.
Talvez precise de uma dose de loucura para fazer acontecer aquilo que desejo...
Quem sabe devo me lançar nos abismos...
Afinal, o que são os abismos, se não buracos vazios, cheios de possibilidades.
Pois é neste vazio que pretendo me lançar...
Com a coragem de uma leoa...
E a sutileza de um pássaro...

“Oh I've finally decided my future lies
Beyond the yellow brick road



Essa poesia chegou até mim hoje, e sincronicamente diz o que desejo...


"Apenas danço. 
Instinto seria um bom motivo
Danço ao som do seu sorriso
Uma dança pagã aritmada 
Entre as elipses de suas formas
Arrefecido e febril eu danço
Insanidade seria um bom motivo
Pra saltar os precipícios adiante
Tomar impulso e partir
Retirar as vendas em queda livre
E sentir prazer ao cair
Sobrevivência um justo motivo
Para estar nu diante dos inquisidores
Sorrir apenas, sem intenções pensadas,
Cantar porque é vital
Ou seria medo o tal motivo?
Da solidão ensimesmada e presente
De me abandonar diante do espelho
De me confundir com alguém que nem conheço
Um motivo triste seria a fome
Seria biológico e rígido demais
Apenas o cumprimento de um ciclo 
Encerrando numa noite fria
Penso por que eu danço 
Ao som do seu sorriso 
Por que me queima essa febre 
E na ignorância pura dos infantes 
Alucinadamente e dopado eu danço
E faço do amor o meu maior motivo." 
Vladimir Wingler



sexta-feira, 4 de abril de 2014

Inquieta Razão em movimento

Voltando a vida, ao movimento, a cena, a entrega cotidiana a arte que me motiva a viver... Dançar!

Apresento o solo  "Inquieta Razão" na Mostra de Intérpretes-criadores no Núcleo Pedro Costa! Trabalho inspirado nos textos do blog e em toda vivência no processo de cura do Câncer de Mama!




segunda-feira, 24 de março de 2014

Costurando a vida...





E mais de um ano se passou, já não tem mais o medo e a angústia, incômodos e aflições... Agora a vida se renova a cada amanhecer... E tudo parece ser apenas uma lembrança...

Aqueles dias ficarão pra sempre em minha memória, em meu coração, e em meu corpo... As marcas continuarão existindo, uma lembrança viva de tudo o que passei.

Tudo parece uma lembrança, mas nem sempre é... Quando penso que isso tudo está no passado, eu me engano... É como se ainda, uma aflição muito grande tomasse conta de mim, uma dor imensa... Não pelo que foi, mas pelo que poderia ter sido. É inevitável não pensar que eu poderia não ter descoberto a tempo de me curar, eu me pego pensando o que poderia ter acontecido... Eu sei o que poderia ter acontecido... Morte! E isso não é assustador... É real! Me obriga a valorizar cada segundo da minha existência.

Eu lembro dos dias que queria muito sair, e não podia... Ou não conseguia. Lembro de ver os dias passando pela janela do quarto... E agora sempre que sinto vontade de resmungar, eu também sinto a tristeza daqueles dias, o desejo que tinha de sair correndo pela rua, de dançar até cair, de ver gente,... É essa vontade que hoje silencia qualquer inquietação ou reclamação do meu dia.

Agora os medos são outros, as angustias também... Mudaram os incômodos e as aflições... Como um ciclo... Mas nada comparado a dor de ver minha vida ameaçada. Eu sinto que fiz uma passagem... Muitas coisas mudaram em meu jeito de Ser... O que me faz encarar decepções, problemas, tristezas, incômodos, de uma forma mais clara e menos sofrida. Parece que escuridão maior do que os dias que tive, não existirão. 

A vida se renova,... Eu mudei, é inevitável que mude também o que me cerca... Isso me levou a mudar de trabalho... Mudar de planos... Tive que mudar o percurso. E coisas sempre ficam para trás, faz parte abandonar malas, talvez as pegue em algum outro momento, talvez fique onde estão...

É assim, caminhando em minha própria direção... Sigo em frente, passo a passo, sem esquecer que enquanto um pé está no futuro, o outro ainda está no passado, e no meio deles, em uma fração de segundo eu estou no presente, plena e viva dançando a música do meu coração.

"Costura da vida"