sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Recomeçar...

“Mas aí, sem que se saiba por que, a gota de chuva cai, o vento se vai, e ficamos de mãos vazias. E só nos resta esperar. Como esperamos que o ipê floresça de novo.” Rubem Alves

Há um pouco mais de 1 ano atrás em perambulava pelas ruas do centro de Diadema, perdida, assustada, triste e ansiosa... Após fazer o primeiro exame, que deveria ser simplesmente de rotina foi como um soco na boca do estômago, apenas pela pergunta “Tem caso de Câncer na família?”... Eu entendi o que ela queria dizer com aquela pergunta, mas confesso que não queria acreditar que poderia ser possível estar com Câncer. Até então ninguém sabia que eu estava fazendo estes exames, sai da clinica e andei sem paradeiro... Chorava desesperada só de pensar nessa possibilidade, e comecei a imaginar como avisar isso a minha família.

Eu morava sozinha e há muitos anos não dava satisfação a ninguém, e de repente me vi como uma criança perdida buscando os braços nos pais carinho e proteção. E no dia 3 de dezembro, quando recebi o diagnóstico vi não só o meu mundo desabar, mas de toda a minha família… Meu pai adoeceu, sei que meu irmão Diogo só chorava, o Tiago sempre animado (mas creio que dentro dele uma tristeza imensa) minha mãe se fazia de forte (provável que a mais forte de todos, o que me surpreendeu), a Nina pouco entendia… E meus amigos? Estavam por perto!

E assim eu comecei o ano de 2013, em plena tempestade, sabendo que seria um ano difícil. Mas registrei em minha memória os bons momentos, foi o ano em que mais estive com a minha família, com os meus amigos, viajei muito, fiz passeios incríveis, dei muita risada, mas não posso negar que foi doloroso e sofrido…

Hoje antes de sair de casa passei protetor solar, o mesmo que usava durante a quimioterapia, e um choro incontrolável aconteceu… Em segundos eu revivi a angustia do tratamento, meu corpo enfraquecido, assustado com tanta química,  senti as dores na cabeça, no estômago, no corpo e na alma… O desespero de querer reagir e não conseguir… Sei que tudo isso ficou pra trás, mas hoje percebi que essas lembranças me acompanharam por um bom tempo. Estas lembranças talvez sirvam para me lembrar do que aprendi…

Sabe o que quero de verdade?Jamais perder a sensibilidade, mesmo que às vezes ela arranhe um pouco a alma. Por que sem ela, não poderia mais sentir a mim mesma.”  Clarice Lispector 

Creio que minha vontade de viver, pode ter mudado meu destino. Eu hoje andava pelas ruas do centro de Diadema com um sorriso no rosto, feliz e grata, simplesmente por estar ali andando pelas mesmas ruas que há um ano eram escuras e frias. E parece bobagem, mas a sensação era “Não acredito que estou aqui, que um ano se passou, que o tratamento acabou, e que hoje vislumbro um novo e encantado amanhã, cheio de novas possibilidades, nova vida, novo emprego, novo namorado (rs), novos amigos, novo cabelo, novos planos e metas,…. 

Eu pretendo em breve fazer uma retrospectiva de fotos de 2013, algo que me lembre que 2013 eu não apenas sofri… Mas que também me ensinou a “amar as pessoas como se não houvesse amanhã”, pois de fato não há… Me ensinou a cantar todos os dias pela manhã “ Eu agradeço, eu agradeço, eu agradeço, eu agradeço…”, simplesmente por acordar plena de saúde e ter em frente um dia pra se viver… Me ensinou a “fiar com” o mistério divino, que tudo sabe… Me ensinou a ter coragem, me falou sobre desapego, entrega, confiança, amizade e sobretudo sobre fé.


Eu pretendo não perder este sentimento que me emociona toda vez que me lembro de 2013… Eu sinto vontade de chorar, não de tristeza, mas de alegria por ter superado tudo e de ter uma nova chance para RECOMEÇAR!

Espetáculo 10 anos Associação Passo a Passo 21.12.13
Coreografia Recomeçar

" Não importa onde você parou... Em que momento da vida se cansou... O que importa é que sempre é possível e necessário RECOMEÇAR. Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo... É renovar as esperanças na vida e o maiis importante... Acreditar em você de novo." Carlos Drummond de Andrade
Providencialmente, terminei o ano em cena com os meus alunos, inspirada pelas sábias palavras de Drummond. Registrei naquele momento o fim de um ciclo, e o início de um novo e belo Recomeçar!




terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Feliz Natal!

No Natal de 2012 eu desejava apenas força e coragem... E naquela noite eu renovei a minha fé! E eis que fui presenteada o ano todo com muito amor, alegria, paz e saúde. E na noite de hoje, eu apenas agradecerei por todas as bençãos. E peço que seja renovada a esperança em todas aquelas pessoas que necessitam de cura, que estejam sempre amparadas pelo anjo protetor e que possam gozar de plena saúde. 

Tenho me sentido muito emotiva, e a todo instante eu choro... Não de tristeza, mas de gratidão... Vejo que a tempestada já passou, e que ela nem foi tão devastadora quanto imaginava que poderia ser. 

Eu agradeço aos meus pais por absolutamente tudo, por serem quem são e por me darem de presente irmãos tão incríveis como os que eu tenho, por nos ensinarem sobre amor, união, compaixão, respeito, amizade, por me encherem de alegria em cada encontro. Creio que este ano tenha percebido o quanto minha família é importante e essencial.

Isso por que a minha fé é infinita!
Eu agradeço aos amigos que perto ou longe me mantiveram sorrindo, confiante e forte. Fico pensando como farei para retribuir todo o amor que recebi de cada um de vocês!

Sinceramente me faltam palavras para descrever tamanha alegria que sinto neste momento, estou viva, gozando de plena saúde e com forças renovadas para recomeçar. Não creio que a cura tenha sido a maior das bençãos que recebi, mas sim o próprio Câncer que me proporcionou mudanças necessárias, paisagens novas, óculos novos para se ver com clareza a beleza de viver. 

UM NATAL ILUMINADO A TODOS, REPLETO DE SAÚDE E ALEGRIA.




domingo, 1 de dezembro de 2013

Reflexões de um domingo qualquer...

“Curioso que ela nada saiba sobre si mesma. Quem sabe sobre a Morte são os vivos. A Morte, ao contrário, só fala sobre a Vida, e depois do seu olhar tudo fica com aquele ar de “ausência que se demora, uma despedida pronta a cumprir-se” (Cecília Meireles). E ela nos faz sempre a mesma pergunta: “Afinal, que é que você está esperando?” Como dizia o bruxo D.Juan ao seu aprendiz: “ A morte é a única conselheira sábia que temos. Sempre que você sentir que tudo vai de mal a pior e que você está a ponto de ser aniquiliado, volte-se para sua morte e pergunte-lhe se isso é verdade. Sua Morte lhe dirá que você está errado. Nada realmente importa fora do seu toque… Sua Morte o encarará e lhe dirá: ’Ainda não o toquei’”. E o feiticeiro conclui: “Um de nós tem de mudar, e rápido. Um de nós tem de aprender que a Morte é a caçadora, e está sempre à nossa esquerda. Um de nós tem de aceitar o conselho da morte e abandonar a maldita mesquinharia que acompanha os homens que vivem suas vidas como se a Morte não os fosse tocar nunca.” Rubem Alves em Que não seja súbita.

É a senhora Morte que tem me ensinado a esquecer, a perdoar, a desapegar, a entregar e a confiar...  E simplesmente ser detentora da minha fé, essa força que me guia e me ampara a todo instante.  Eu ainda sinto dores e tristezas, e continuarei sentindo... Aliás isso faz de mim um ser humano, com sentimentos sublimes e instintivos... Também sinto medo, o medo que me impede de seguir adiante, pode ser o mesmo que me protege contra um caminho que não devo seguir, e por isso resisto.

Eu reconheço que perdi um “bocado” de coisas em tempos de chuva, abandonei planos, sonhos, pessoas... E ao mesmo tempo isso me faz sentir pesar e alivio... Levo comigo somente as bagagens que me servem...  Talvez eu carregasse bagagens que não eram minhas... Pois agora decidi, carrego apenas as minhas e muito bem selecionadas...

Aquilo que me faz mal simplesmente não me serve...  E infelizmente descubro que pessoas podem me fazer mal... E ao invés de lastimar o tempo que me dediquei a elas, eu simplesmente mudo a rota...  E eu tenho mudado constantemente...

A ausência no blog, é exatamente por perceber essas mudanças... Os pensamentos mudam numa velocidade voraz, e subitamente eu me vejo com novos planos, novas idéias, novos amigos, novos amores, e novos desejos... Tem algo que não muda, apenas cresce... É a confiança em mim mesma. Ninguém e nada será capaz de me derrubar... Eu fui capaz de me curar, eu vi meu corpo esmorecer e tive forças para mantê-lo em pé, eu tive a coragem que nem todos teriam, eu senti dores no corpo e na alma, eu vi a Senhora Morte do meu lado esquerdo me seduzindo a todo instante. 

Pois agora, sei que ela está ali, e sempre estará... Pois em qualquer momento ela pode me tocar... E como bem diz Pai Caetano, “A vida é um estalar de dedos, e quando o coração pulsa é uma festa, por isso aproveite. E quando tiver que chorar, entenda que a lágrima é o sangue branco que precisa ser colado para fora.” 

Eu estou em festa e tenho muito que colocar pra fora ainda! Tenho aprendido a estar em silêncio, a escutar o eco que ressoa em meu coração e aceitar o que ele silenciosamente diz...  E às vezes ele diz que o melhor a ser feito é sair de cena, virar a página, ou mesmo fechar o livro... 

Tudo isso pra dizer a mim mesma que eu não tenho tempo nem energia a perder com mesquinharias, bobagens e infantilidades... Tenho milhões de novos planos  pra colocar em ação. 


“Dionísio é a imagem da existência imediata e da perdição total. Ele é o dançante embriagado, o ruidoso portador da alegria, mas também o Deus sofredor que, como um arado, resolve tudo o que enrijeceu e o que sobreviveu, preparando assim a terra para nova vida…” 
Bernhard Wosien em Dança um Caminho para a totalidade.



domingo, 3 de novembro de 2013

Minha fé, meu Rouxinol...

E mais uma vez palavras tão simples me tocam... Creio que o simples carrega o essencial... E foram nas palavras contidas na oração do Pai Nosso, que eu mais uma vez senti meu coração pulsar forte, minha respiração ficar profunda, e um imenso sentimento de amor e gratidão tomar conta de mim. Me senti viva e plena!

Estes dias ao ouvir tais palavras, me lembrei do dia da cirurgia a 9 meses atrás... Naquele instante estas palavras me trouxeram o conforto e paz necessária para saber que tudo ficaria bem... E hoje, estas mesmas palavras me enchem de vida... Me colocam a disposição de algo que é infinitamente maior do que Eu.

Creio que ter fé, seja isso... Estar a disposição do que é infinitamente maior... É confiar nos milagres, no invisível. E crer naquilo que está diante dos meus sentidos mais sutis, além do alcance dos 5 sentidos, algo que ultrapassa qualquer explicação lógica...  É como retomar o caminho de volta pra casa...  Plena de que os caminhos estão sempre certos... É compreender que se não hoje, amanhã talvez,... É estar disponível aos encontros e desencontros, e crer que os desencontros me preparam para encontros muito mais cativantes... Que aquilo que eu quero, pode ser medíocre diante da imensidão de quereres que o Universo possua pra mim.

Eu não delego meu futuro simplesmente a Deus, eu não entrego absolutamente nada a ele, nem a ninguém... Eu apenas tomo em minhas mãos o poder divino de confiar plenamente na luz que me guia... Assumo a responsabilidade de minha existência diante dos caminhos tortuosos que a vida me oferece... E reconheço o merecimento de todas as benções que tenho recebido...

Eu então, caminho em direção ao religare... Como bem diz Roberto Crema,”religare é uma religação da parte com o todo, do ser humano com a humanidade, a natureza e o grande sopro da vida, o ser que nos faz ser.”... Pretensiosamente, caminho nessa direção!

Feliz e grata pelo caminho que escolhi trilhar... Me sinto acolhida em um “C.E.U.  estrelado”, e amparada em todas as direções...  Por mais que os últimos dias tenham sido de inquietações, tristezas, dores, e sofrimentos... Eu compreendo que isso faça parte do processo... Me vejo agora sentindo todas as dores que não senti ao longo do tratamento... Elas não afetam somente meu corpo físico, que se encontra ainda frágil e delicado... Sinto as emoções a flor da pele e os sentimentos dilacerados... E um grande caos dentro e fora...

Mas confio que harmoniosamente tudo retomará seu eixo...
Minha fé, é meu “Rouxinol”….

“ Rouxinol tomou conta do meu viver 

Chegou quando procurei 
Razão pra poder seguir 
Quando a música ia e quase eu fiquei 
Quando a vida chorava mais que eu gritei 
Pássaro deu a volta ao mundo brincava 
Rouxinol me ensinou que é só não temer 
Cantou se hospedou em mim 

Todos os pássaros, anjos dentro de nós 

Uma harmonia trazida dos rouxinóis”


Rouxinol, Milton Nascimento.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Estou cansada...

“Brinco com a minha tristeza como quem cuida de uma amiga fiel…” Rubem Alves
Foto: Arnaldo J. G. Torres

Quando me perguntam como estou, a única coisa que consigo dizer é: "Estou cansada". Meu corpo resmunga e minha alma grita! Não são gritos de socorro e desespero, agora gritos de braveza, coragem, força e raiva... Sim raiva!

Eu tive forças o suficiente para combater as dores e não permiti que o sofrimento se alojasse aqui… Agora eu me sinto cansada e com raiva disso tudo! Eu fui capaz de me colocar em pé na linha de frente da batalha e guerrilhei com todas as armas que encontrei. Eu vi meu existir ameaçado, senti meu corpo sucumbir, suportei dores e incômodos, resiste bravamente e pouco resmunguei, não fraquejei e pouco chorei.

Pois agora que a batalha foi vencida, eu transbordo em lágrimas e desabo, sei que não serei mais atacada, acabaram as sessões de quimioterapia e radioterapia, e por isso meu corpo agora se lança no chão. E se for preciso aqui ficarei até reencontrar minhas forças!

Recebi alta médica, mas sinceramente ainda não sinto alegria… Sinto um cansaço na alma. Fui bombardeada por todos os lados, meu corpo está despedaçado. Não creio que repentinamente eu tenha ficado pessimista, e tão pouco me falte gratidão. Mas vejo que agora tenho uma visão realista do que vivi. Fico tentando mensurar o peso que carreguei, não sei… Mas sei que foi pesado e por questão de sobrevivência, não fraquejei! Essa resistência garantiu minha sobrevivência. Eu poderia ter desistido, e se quer ter lutado.

Mas eu lutei, e agora… Permitam-me por favor que eu chore! Deixe-me gritar, resmungar, xingar e até duvidar de Deus... Eu não posso aceitar com sorrisos de gratidão todas as dores que senti, seria uma atitude apática. Em algum momento eu precisaria questionar... Por que ameaçar a minha existência!? Logo a minha? Sinto que foi essa inquietação, que silenciosamente me gerou forças para lutar a favor da vida. Pois eu NÃO aceitei a condição imposta, eu NÃO me deixei ser vencida.

Estou entrando nos meus cantos, desapertando os nós, abrindo as comportas, me descobrindo, me reconhecendo, me aceitando e me libertando... Chorando e gritando, estou descobrindo o que restou... E talvez do que tenha restado, seja na verdade o que realmente Sou. 

E foi por tudo isso que escrevi, que me ausentei do blog… Fiquei exaurida com as sessões de radioterapia, é literalmente um bombardeio… Me senti e ainda me sinto confusa com a possibilidade de ter que retomar a vida… Não sei nem por onde começar… Parece que não restaram forças para recomeçar…

O sofrimento regado pela esperança, é o que dá sentido as lágrimas que escorrem pelo meu rosto neste momento, é sentindo essa dor que eu penso em coisas que de outra forma eu não pensaria. É parte de um processo para se criar um futuro novo. E como bem diz Rubem Alves, é como o sofrimento das dores de um parto que vêm pela alegria de se saber que uma criança vai nascer. 

Neste momento quero como companhia as palavras de Rubem Alves, Bernhard Wosien, Fernando Pessoa, a música de Ravel, Vivaldi, Bach, a vivacidade das flores, o canto dos pássaros, a leveza das águas, o calor da chama… E o movimento... Quero o movimento do ar entrando e saindo do meu corpo, do sangue circulando em minhas veias, do pulsar do coração… Quero apenas sentir o movimento da vida que existe em mim!


RTZB

"A Morte me informa sobre o que realmente importa… Não, não é nada mórbido. É que não temos opções. A vida é aquilo que fazemos com a nossa Morte. Ou a olhamos de frente e ela se torna amiga, ou fazemos de conta que ela não bate à porta, e ela entra noturna, pela porta da cozinha, para nos ir comendo em silêncio... Ás vezes ela chega perto demais, o susto é infinito, e até deixa no corpo marcas de sua passagem. Mas se tivermos coragem para a olharmos de frente é certo que ficaremos sábios e a vida ganhará simplicidade e a beleza de um haikai.”  Rubem Alves
Foto: Arnaldo J. G. Torres

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

" E vinte e nove anjos me saudaram..."

“Passei vinte e nove meses num navio
E vinte e nove dias na prisão
E aos vinte e nove com o retorno de Saturno
Decidi começar a viver
...
E vinte e nove anjos me saudaram
E tive vinte e nove amigos outra vez.”
 Legião Urbana

São 29 anos passeando entre vales, montanhas, cavernas, matas,... Dia e noite, sol e chuva, calor e frio, alegria e tristeza, dor e amor... É pouco tempo para quem pensou que pudesse não comemorar o dia de hoje... Pois é, eu pensei! Diante do paradigma do Câncer, dos medos, receios, dores, aflições, é provável que isso tenha passado por mim. Mas eu não alimentei a morte, e se quer lamentei as dores... Eu confiava e sabia que quando este dia chegasse estaria no fim do tratamento, e teria muitos motivos para comemorar.

E este dia chegou! Sem muitas palavras para expressar o que sinto. Posso dizer que uma alegria imensa em ter muitos motivos para comemorar, tenho uma vida plena e saudável, uma família incrível e amigos surreais!

Cantar parabéns ao som dos atabaques simboliza o encontro com o divino, sinto profunda gratidão por este momento. É sem dúvida, o inicio de um novo ciclo.

Agradeço ao Divino por me presentear com mais um ano de vida!
Agradeço meus pais, avós, bisavós, ancestrais por me presentear com a vida!
Agradeço aos amigos por compartilharem comigo alegrias e tristezas da vida!
Logo, agradeço a VIDA! Ela existe e habita em mim!

Continuarei dançando a vida... Serei plena em minhas quedas, recuperações, rolamentos, giros, saltos, sentimentos, dores, aflições, superações, alegrias, continuarei com força, coragem, determinação, confiança e fé... Muita Fé! 

RTZB
 
Eu, caçador de mim "
"Nada a temer

Senão o correr da luta
Nada a fazer
Senão esquecer o medo
Abrir o peito à força
Numa procura
Fugir às armadilhas da mata escura"


sábado, 31 de agosto de 2013

Voltando...

Tão difícil quanto sair de cena é voltar... Me sinto perdida! Tudo, completamente tudo mudou... E por que mudou eu não sei bem o que fazer! Me acostumei com gentileza, amor, solidariedade e carinho... E de repente, cadê tudo isso?

Aos poucos estou saindo de casa e retomando as atividades. Sem obrigação de nada, apenas pelo puro prazer de voltar... Deixando para trás a cama, os remédios, as sensações ruins e retomando a vida com um novo olhar!

E este novo olhar, tem me assustado... Vejo o que não via, sinto o que não sentia... Atitudes egoístas, olhares ofensivos, julgamentos desnecessários, energias densas... Fico me perguntando o que as pessoas fizeram com o amor... Por que não olhamos nos olhos? Por que falamos tanto e fazemos tão pouco? O ser humano se distanciou tanto, aponto de se perder de si mesmo!

Não sabemos quem somos, o que fazemos, onde vamos,...
E é por isso que vamos indo, sendo consumido pelo tempo, pelo dinheiro, e pelas atitudes aflitivas que temos para nos salvar de tanta inquietação... Inquietas ações que só aumentam as aflições.

Estou voltando e não quero me perder... A minha mente tenta a todo instante me levar pra bem longe, ela quer me distrair com impulsos negativos e desesperançosos. Quer me entristecer, me faz chorar, e tenta me fazer perder as forças. E por enquanto estamos em conflito, ora ela vence, ora eu domino. Recebi tanto amor, vivi tantas alegrias e senti tanta gratidão... Que não posso me perder por aí, preciso crer no amor fraterno, na solidariedade, na compaixão, na amizade, e principalmente no cuidado... Cuidar de si mesmo, estar pleno, para cuidar do outro!


É por isso, que continuo cuidando de mim...

RTZB