quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Tentando me compreender...

Não sou sempre feliz como muitos dizem, tenho tantas lágrimas quanto sorrisos em meu rosto. Sou simples no jeito de ser, gosto de gente sincera, honesta e generosa. Não tenho pessoas especiais ao meu lado por que tenho sorte, mas por que eu as busquei e permiti que ali ficassem. E também não tenho sorte por ter um trabalho incrível, mas por nunca ter perdido o foco e a determinação. Não sou guerreira, nem vencedora e muito menos iluminada, apenas utilizei a capacidade que todos temos de superar os próprios limites, de caminhar com fé, amor e coragem... Chego a conclusão de que estaremos sempre só! É verdade que muitos me acompanharam quando mais precisei, mas a verdade é... Sou responsável por caminhar, por escolher o percurso, por errar ou acertar, por seguir ou parar... Não há quem faça por mim! Perdoo o que há perdão, e esqueço o que não há... Não julgo e não reclamo, aceito com gratidão tudo o que vida pode me oferecer, transformo as dores em amores, as pedras em flores... Eu confio no mistério do vazio que tantas vezes sinto dentro de mim, sei que ali existe infinitas possibilidades de criar absolutamente tudo que desejar.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Além de mim mesma...

As pessoas insistem em dizer que sou vitoriosa...  E eu sei que sou! Quando olho para trás e vejo o que fui capaz de suportar, eu realmente me sinto assim... Sei o quanto tive que ser forte para não sucumbir, usei todas as armas que encontrei pela frente, me vesti com armaduras e parti para a guerra. Mas isso não faz de mim alguém especial, iluminada, evoluída,... Apenas uma menina que se transformou em mulher e aceitou os desafios que recebeu. Essa capacidade de vencer, todos temos. Eu apenas reconheci essa força e a usei... Essa força é a mão divina tocando o coração e enchendo-o de vontade de viver.

Eu não era assim... Eu não me sentia em paz... Virginiana, perfeccionista, cheia de manias e chatices, insegura e frágil... Se eu mudei? Não! Continuo sendo virginiana, perfeccionista, cheia de manias e chatices, insegura e frágil... Mas agora respiro fundo, confio naquilo que não posso ver, me aceito como sou e cuido de mim. Sei o que me faz bem, e também o que não me faz... Penso primeiro em mim. Egoísmo? Para alguns, talvez! Para mim, amor incondicional a vida que habita em mim!

Quando não se tem medo, a vida se torna uma grande aventura... Eu achava que minha vida ficaria estagnada, é verdade que ela parou por um período. Foram meses pensando o que de fato eu queria da vida... Quais eram meus sonhos? Eu havia me esquecido deles, precisava desta pausa para relembrá-los... O que perdi neste tempo!? Apenas um quadrante da mama, por que todo o resto eu ganhei... Sonhos e desejos renovados, cabelos encaracolados, determinação, confiança, fé e alegria.

Sabe... Eu vejo todos os dias as cicatrizes que o Câncer deixou em mim, marcas que levarei por toda a vida, e que não me fazem menos mulher, nem menos bonita, apenas diferente. É exatamente neste diferente, que eu reconheço a minha real beleza e o meu verdadeiro valor, que não está na estética de um corpo perfeito... O corpo mudou... É isso, a matéria mudou, mas o que existe dentro não... Sei que sou muito mais do que cabelo e peito. É fato que nunca fui muito vaidosa, mas confesso nunca me senti tão linda quanto nos dias que estive careca, eu finalmente me reconhecido como mulher.


Eu tive Câncer de Mama aos 28 anos e não sei quando essa história se tornará passado, ela é viva e presente em meus dias, me faz pensar e principalmente agradecer a saúde e a vitalidade em meu corpo e agradecer o quanto generosa a vida têm sido comigo me presenteando com momentos encantados ao lado de pessoas especiais. 

Com Iara Odete.
Foto de Marion Caruso

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Inquieta,

Tenho me perguntado por que as palavras não mais conseguem expressar tudo aquilo que sinto... Continuo tendo reflexões, questionamentos e insights, mas que não conseguem voar... Talvez as palavras tenham se transformado em movimento, já que agora voltei a dançar e tenho dito com meio corpo aquilo que desejo.

Sabe um daqueles livros que tocam no fundo da alma e que precisam ser lidos muitas vezes ao longo da vida? Para mim “O Pequeno Príncipe” é um desses, leio, releio, revivo e vivo... E cada leitura me transforma e me transborda, me faz olhar um mesmo ponto de diferentes formas. É desta forma que sinto ser o Câncer em minha vida... Um livro que me devorou pelas entranhas, me remoeu por dentro e me transformou. Desejaria esquecer tudo que vivi e senti, mas esta história é a minha história, e não há como esquecê-la, está presente nas marcas que deixou em meu corpo, nos sintomas poucos, mas que ainda existem, e principalmente nos detalhes, como ver o cabelo crescendo. 
É um daqueles livros que terei em minha memória para sempre... Hoje, me sinto saudável e tenho a obrigação de agradecer e valorizar este bem tão precioso, a saúde. Muitos renegam o próprio corpo, o maltratam, o intoxicam, sem ter a consciência de quantas pessoas enfermas desejam estarem apenas saudáveis. 

No final de 2013 eu ouvia muito uma música que dizia “E quando cessar a tempestade e vislumbrar novo amanhã.... Que é força e coragem pra seguir viagem. Filhos que têm fé...” Eu me lembro do quanto desejava que dias como os de hoje chegassem, dias em que eu estivesse trabalhando, aprendendo e descobrindo cada vez mais sobre mim, sobre o ser humano, sobre a vida, sobre a dança... Eis então, que hoje me vejo assim...

Sem medo cai no mundo.
Na brisa que faz rodar.
Toda dor do meu passado.
Sorrindo quero dançar. 

E para minha alegria, tudo que foi desejado em relação ao trabalho "Inquieta Razão" têm acontecido, sinto que bons ventos sopram a favor, digo que reviver essa história não é uma tarefa fácil, mas necessária. Então, é sem medo que eu sigo dançando e cumprindo com a missão de transformar toda dor que senti, dizendo a mim mesma o quanto este processo longo e intenso deve ser olhado com respeito e gratidão, por todas as mudanças que aconteceram em mim a partir dele, por toda a coragem e fé que hoje existe em meu coração, por todas as pessoas que estiveram ao meu lado, pela força que hoje me impulsiona a seguir e principalmente pela alegria que sinto, simplesmente por estar viva.

"Aquele que nunca viu a tristeza, nunca reconhecerá a alegria." (a.d.)

Tenho realizado um sonho. Eu sonhei este espetáculo, tudo que hoje acontecesse já havia acontecido em meus pensamentos... Essa semana o sonho se completará com a apresentação no SESC, onde terei comigo a médica Thais Kubota, a doutora que sensivelmente me deu o diagnóstico, ela não apenas irá assistir como também participará de um bate-papo com a platéia no final. 

Só posso agradecer, por essa e tantas outras oportunidades incríveis que tenho recebido!


 


quarta-feira, 8 de outubro de 2014

domingo, 20 de julho de 2014

Descobrindo a amizade...

Dizem que hoje é dia do amigo, eu até sinto vontade de lamentar os amigos que perdi nestes últimos meses, de dizer o quanto me decepcionei, mas meu tempo é muito precioso para reviver essas dores que não merecem minha atenção... Dedico este dia então, aos meus poucos e verdadeiros amigos, aqueles que perto ou longe estiveram e estarão sempre comigo. E registro aqui uma das histórias de amizade mais belas que já vivi. 

9 de setembro de 2012, era uma manhã ensolarada de domingo, estava no Parque do Ibirapuera onde acontecia o Festival Mundial da Paz, eu havia acabado de completar 27 anos de idade e recebia de presente a oportunidade mágica de participar de algo tão incrível, passei 4 dias de festival cuidando da Tenda da Alegria, nela aconteciam apresentações de música, teatro e dança.

Trabalhando no festival, consegui assistir apenas uma apresentação e escolhi as flautas encantadas de Daniel Namkhay. Antes de me acomodar avistei de longe uma menina, aparentemente debilitada e frágil, usava máscara, chapéu, pele clara e magra. Sentei em seu lado, e neste precioso momento eu vi nascer a história de amizade mais linda que já ouvi... Ela se emocionava ao som da música, e eu também. Nos demos as mãos e choramos juntas. No fim de tudo, trocamos algumas palavras, ela quis saber do festival e eu de sua história.

Priscila Kiffer, uma jovem linda e cheia de vida, capixaba, falava com amor de seu filho e de sua família e amigos. Visitava São Paulo para restabelecer sua saúde, faria em poucos dias o transplante autólogo de Medula. Pediu-me indicação de apartamento para sua família ficar enquanto estivesse internada, eu imediatamente ofereci minha casa. Diz ela que me achou muito maluca, e obviamente recusou o convite. (Rs)

Ficamos em contato, trocávamos mensagens de celular e pude acompanhar de longe (mas muito perto) seu tratamento e sua recuperação. Estava com alguns amigos almoçando quando recebi a notícia de que a medula havia “pegado”, brindamos sua nova vida.

Durante os meses de seu tratamento em São Paulo eu entrava constantemente em seu facebook para ver suas fotos, via imagens de antes do tratamento, eu ficava horas e horas refletindo sobre essa doença, como podia transformar as pessoas daquela maneira? Buscava uma explicação, me questionava, e confesso que não entendia. Algo dentro de mim se revoltava e sentia não ser justo uma mulher linda e saudável, como aparentava nas fotos viver aquele sofrimento todo.

Dias depois eu entendi... Era dezembro, e Priscila já havia retornado para Vila Velha quando me ligou dizendo que agora, depois de perceber que não sou tão maluca assim, ela aceitaria o convite para pousar em minha casa em janeiro, pois retornaria a São Paulo para consulta médica. Disse que talvez pudesse estar internada... Ela assustada questionou e eu contei... “Acabei de receber o diagnóstico de Câncer de Mama”, lembro que ficou em silêncio, se indignou e chorou, mas em poucas palavras me contou o que aconteceria, o que teria que fazer, e de uma maneira forte e decidida disse que estaria sempre ao meu lado. Foi aí que eu entendi por que olhava suas fotos, por que me questionava, e por que naquela manhã de setembro eu sentava em seu lado.

Naquele aniversário eu ganhei uma amizade sincera e de um amor incondicional. Hoje depois de tudo que passamos juntas, posso dizer que foi neste encontro que eu vivi uma verdadeira relação de fraternidade, compaixão, companheirismo, amor, alegria, união e sobretudo paz.

E foi assim em 2013... Eu em tratamento e ela também, precisou retornar as sessões de quimioterapia e recebeu a notícia de que precisaria de um novo transplante, agora de um doador.  Mas nem por isso deixamos de viver juntas momentos de imensa alegria, entre uma quimioterapia e outra, peguei o avião e aterrissei em Vila Velha, era aniversário de Priscila e uma festa linda aconteceria, família encantada, amigos lindos e muita cumplicidade, afinal de contas estávamos com as mesmas limitações (rs), cansávamos facilmente, não podíamos entrar no mar, nem sair, nem beber, mas... Podíamos sim agradecer a vida apenas pelo fato de estarmos vivas e juntas, a sabedoria Divina que rege nossas vidas nos uniu. Meses depois, era ela quem aterrissava em São Paulo para o meu Sarau de aniversário, veio acompanhada do filho e de duas amigas, nos divertimos, passeamos por São Paulo, acordávamos dando gargalhadas e assim ia até o final do dia, e mais uma vez agradecíamos por estarmos juntas.

Já em 2014, eu tive alta e ela retornaria a São Paulo, pois um anjo havia lhe enviando um doador compatível. E durante todo o processo do transplante estive contigo, eu e toda minha família se mobilizando para ajudá-la, afinal de contas agora ela fazia parte da família também. Eu confesso que ir visitá-la não era uma tarefa fácil, entendia parte de seus incômodos, e sentia no fundo da minha alma as suas dores. Eu respirava fundo, pedia ajuda a Deus e entrava em seu quarto, e lembrava de como as pessoas se comportavam ao irem me visitar, e fazia com ela aquilo que fizeram comigo, lhe contava causos, fofocas, coisas engraçadas,... Foi o que fiz, mesmo com o coração apertado, eu me enchia de amor, alegria e ia visitá-la.  Sempre que via uma paisagem bonita eu fotografava e enviava para ela, sei que não via a luz do dia a muitos dias e tampouco percebia a beleza que a esperava do lado de fora.

Hoje, ela está curada e eu também. Somos amigas, irmãs, cúmplices e parceiras. Com ela aprendi que amizade é isso, um encontro repentino cheio de sentido, que enche os corações de amor e alegria, que nos faz crer na presença Divina, que não há nenhuma relação com o ou espaço, ela lá e eu cá, nos vemos poucos, mas nos sentimos a cada pulsar do coração.


“A arte de sorrir cada vez que o mundo diz não...
Você verá que a emoção começa agora
Agora é brincar de viver”



sexta-feira, 4 de julho de 2014

É amor...

Algo mudou em mim e "A culpa é das estrelas", tomei coragem e fui assistir o filme. Chorei do início ao fim e não apenas por me reconhecer em muitos momentos, mas principalmente por ver uma linda história de amor acontecer, talvez a mais linda que já vi...Vi dois lindos jovens falando da vida e do amor com muita sabedoria e maturidade... Fiquei eufórica, feliz e grata sem saber por que, sinto que algo que estava preso aqui dentro, criou asas e vôo... 


Houve quem disse “EUREKA”
Há quem diz “a ficha caiu”
Ou simplesmente “entendi”...
Todas essas expressões remetem a um único sentimento...
O sentimento de ver uma linda flor desabrochar.
É ter a sensação de criar asas e voar.

Entendi por que estou aqui....
Entendi por que adoeci...
Entendi como me curei...
Entendi o que desejo...

Não que me faltassem asas...
Eu até as tinha...
Mas o medo era tanto...
Que os vôos eram sempre rasteiros...

Não entendi ainda o medo,
Mas sinto ele se dissolver...
Não entender não quer dizer não sentir.

E o que parece estar velado em minha alegria,
Ou entre tais linhas e palavras,
É o desejo simples e puro de amar...
E ser amada!

Me perdi em tantos amores...
Amedrontada.
Senti esses amores como imensos labirintos.
Houve aquele que desejou a morte...
Aquele que não a desejou, mas parecia sucumbir a própria vida...
Houve ainda quem apenas me despertou para o desejo...
E aquele que por anos me prendeu em uma gaiola...
Em todos eles eu vivi a alegria de estar junto...
De desfrutar do prazer e do desejo,
Da doce companhia e da amarga despedida.

Pois agora eu entendi...
Entendi que desejo apenas um amor de asas ...
Que voe cada vez mais alto...
Que alcance as estrelas...
Que me liberte para a vida...
E que tampouco sinta desejo e prazer...
Mas que sinta a plenitude da entrega...
Que encontre o uno em dois...
Que seja um dia três, quem sabe quatro.

É tudo tão obscuro nas palavras,
Como se a verdade tivesse que ficar velada em mim,
Ou como se a verdade não pudesse ser lida por alguns...
Mas está dito, leia quem tiver que ler...

Sinto apenas o desejo de amar e ser amada.
E se depois disso partir,
Partirei plena de uma vida vivida em plenitude.
Pois não há outra coisa a se fazer neste mundo que não seja amar.


terça-feira, 17 de junho de 2014

Em marcha...

Como dizem alguns amigos... Em marcha e avante! E assim vou seguindo. Intuindo. Percebendo. Confiando. Caminhando. Agradecendo.

Passo a crer que tudo deve acontecer com o seu devido esforço, nem de menos que não me faça dar o devido valor e nem de mais que me faça sacrificar demasiadamente.. Na perfeita harmonia, como deve ser. 

E minha viagem para Brasília tem se organizado em perfeita harmonia... Eu então lembro quando o solo era apenas um rabisco no papel... Meu corpo frágil e inquieto, parecia sucumbir. Hoje, cada vez mais fortalecido reage com coragem e se diverti com os riscos e as surpresas misteriosos que surgem no caminho.

Me sinto leve... E por isso vôo.
Me sinto forte... E por isso reajo.
Me sinto corajosa... E por isso sigo.
Me sinto feliz... E por isso danço.

Em marcha e avante a espera ansiosa pelos poéticos e inesquecíveis encontros que Brasília sempre me proporcionou.