Inquieta Razão é um trabalho inspirado nas Quatro Estações do ano como fases vivenciadas pela própria bailarina no processo de cura de um diagnóstico de Câncer de Mama. A escolha de dançar sua dor é uma forma de despertar de um sono profundo, que a fez entrar em colapso e desordenadamente células se multiplicaram ameaçando sua existência. É a partir dos quatro elementos que o movimento da vida pulsa novamente, levando para cena suas próprias lembranças revividas em seu corpo, pois o que sentiu jamais será esquecido.
O descontrole descabe em mim, incha, transborda, transmuta e transcende. Se esvai na sutileza da emoção, na delicadeza do que não há de ser delicado, no explodir de um furacão... Inquieta razão... sufocante emoção... Traduzido em palavras o movimento... Caos!
quinta-feira, 8 de maio de 2014
sexta-feira, 25 de abril de 2014
Contínua...
Eu que pensei que estivesse entregue a isso tudo,
Vejo que não, hesito.
Um escorregão e eu chego a duvidar do que a vida tem para me oferecer.
Os fantasmas da doença me fazem questionar a vida, a cura, e até Deus.
Chego a pensar friamente no fim...
Um susto... Um sinal de alerta... Um recomeço...
Talvez preciso aprender com as leoas a usar meu instinto de proteção,
Reagir as adversidades da vida com mais força e coragem.
Não permitir que me ataquem, e que façam comigo aquilo que querem!
A menina frágil e amedrontada ainda mora dentro de mim,
E de vez em quando, cisma em aparecer.
Talvez precise de uma dose de loucura para fazer acontecer aquilo que desejo...
Quem sabe devo me lançar nos abismos...
Afinal, o que são os abismos, se não buracos vazios, cheios de possibilidades.
Pois é neste vazio que pretendo me lançar...
Com a coragem de uma leoa...
E a sutileza de um pássaro...
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“Oh
I've finally decided my future lies
Beyond the yellow brick road”
Goodbye Yellow Brick Road - Elton John
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Essa poesia chegou até mim hoje, e sincronicamente diz o que desejo...
"Apenas danço.
Instinto seria um bom motivo
Danço ao som do seu sorriso
Uma dança pagã aritmada
Entre as elipses de suas formas
Arrefecido e febril eu danço
Insanidade seria um bom motivo
Pra saltar os precipícios adiante
Tomar impulso e partir
Retirar as vendas em queda livre
E sentir prazer ao cair
Sobrevivência um justo motivo
Para estar nu diante dos inquisidores
Sorrir apenas, sem intenções pensadas,
Cantar porque é vital
Ou seria medo o tal motivo?
Da solidão ensimesmada e presente
De me abandonar diante do espelho
De me confundir com alguém que nem conheço
Um motivo triste seria a fome
Seria biológico e rígido demais
Apenas o cumprimento de um ciclo
Encerrando numa noite fria
Penso por que eu danço
Ao som do seu sorriso
Por que me queima essa febre
E na ignorância pura dos infantes
Alucinadamente e dopado eu danço
E faço do amor o meu maior motivo."
Vladimir Wingler
terça-feira, 8 de abril de 2014
sexta-feira, 4 de abril de 2014
Inquieta Razão em movimento
Voltando a vida, ao movimento, a cena, a entrega cotidiana a arte que me motiva a viver... Dançar!
Apresento o solo "Inquieta Razão" na Mostra de Intérpretes-criadores no Núcleo Pedro Costa! Trabalho inspirado nos textos do blog e em toda vivência no processo de cura do Câncer de Mama!
segunda-feira, 24 de março de 2014
Costurando a vida...
E mais de um ano se passou, já não tem mais o medo e
a angústia, incômodos e aflições... Agora a vida se renova a cada amanhecer...
E tudo parece ser apenas uma lembrança...
Aqueles dias ficarão pra sempre em minha
memória, em meu coração, e em meu corpo... As marcas continuarão existindo, uma
lembrança viva de tudo o que passei.
Tudo parece uma lembrança, mas nem sempre
é... Quando penso que isso tudo está no passado, eu me engano... É como se
ainda, uma aflição muito grande tomasse conta de mim, uma dor imensa... Não
pelo que foi, mas pelo que poderia ter sido. É inevitável não pensar que eu
poderia não ter descoberto a tempo de me curar, eu me pego pensando o que
poderia ter acontecido... Eu sei o que poderia ter acontecido... Morte! E isso
não é assustador... É real! Me obriga a valorizar cada segundo da minha
existência.
Eu lembro dos dias que queria muito sair, e
não podia... Ou não conseguia. Lembro de ver os dias passando pela janela do
quarto... E agora sempre que sinto vontade de resmungar, eu também sinto a
tristeza daqueles dias, o desejo que tinha de sair correndo pela rua, de dançar
até cair, de ver gente,... É essa vontade que hoje silencia qualquer
inquietação ou reclamação do meu dia.
Agora os medos são outros, as angustias
também... Mudaram os incômodos e as aflições... Como um ciclo... Mas nada
comparado a dor de ver minha vida ameaçada. Eu sinto que fiz uma passagem...
Muitas coisas mudaram em meu jeito de Ser... O que me faz encarar decepções,
problemas, tristezas, incômodos, de uma forma mais clara e menos sofrida.
Parece que escuridão maior do que os dias que tive, não existirão.
A vida se renova,... Eu mudei, é
inevitável que mude também o que me cerca... Isso me levou a mudar de
trabalho... Mudar de planos... Tive que mudar o percurso. E coisas sempre ficam
para trás, faz parte abandonar malas, talvez as pegue em algum outro momento,
talvez fique onde estão...
É assim, caminhando em minha própria
direção... Sigo em frente, passo a passo, sem esquecer que enquanto um pé está
no futuro, o outro ainda está no passado, e no meio deles, em uma fração de
segundo eu estou no presente, plena e viva dançando a música do meu coração.
"Costura da vida"
"Costura da vida"
sexta-feira, 3 de janeiro de 2014
Recomeçar...
“Mas aí, sem que
se saiba por que, a gota de chuva cai, o vento se vai, e ficamos de mãos
vazias. E só nos resta esperar. Como esperamos que o ipê floresça de novo.” Rubem Alves
Há um pouco mais
de 1 ano atrás em perambulava pelas ruas do centro de Diadema, perdida,
assustada, triste e ansiosa... Após fazer o primeiro exame, que deveria ser
simplesmente de rotina foi como um soco na boca do estômago, apenas pela
pergunta “Tem caso de Câncer na família?”... Eu entendi o que ela queria dizer
com aquela pergunta, mas confesso que não queria acreditar que poderia ser
possível estar com Câncer. Até então ninguém sabia que eu estava fazendo estes
exames, sai da clinica e andei sem paradeiro... Chorava desesperada só de
pensar nessa possibilidade, e comecei a imaginar como avisar isso a minha
família.
Eu morava
sozinha e há muitos anos não dava satisfação a ninguém, e de repente me vi como
uma criança perdida buscando os braços nos pais carinho e proteção. E no dia 3
de dezembro, quando recebi o diagnóstico vi não só o meu mundo desabar, mas de
toda a minha família… Meu pai adoeceu, sei que meu irmão Diogo só chorava, o
Tiago sempre animado (mas creio que dentro dele uma tristeza
imensa) minha mãe se fazia de forte (provável que a mais forte de todos, o que
me surpreendeu), a Nina pouco entendia… E meus amigos? Estavam por
perto!
E assim eu
comecei o ano de 2013, em plena tempestade, sabendo que seria um ano difícil. Mas registrei em minha memória os bons momentos, foi o ano em que mais
estive com a minha família, com os meus amigos, viajei muito, fiz passeios
incríveis, dei muita risada, mas não posso negar que foi doloroso e sofrido…
Hoje antes de
sair de casa passei protetor solar, o mesmo que usava durante a quimioterapia,
e um choro incontrolável aconteceu… Em segundos eu revivi a angustia do
tratamento, meu corpo enfraquecido, assustado com tanta química, senti as dores na cabeça, no estômago, no
corpo e na alma… O desespero de querer reagir e não conseguir… Sei que tudo
isso ficou pra trás, mas hoje percebi que essas lembranças me acompanharam por
um bom tempo. Estas lembranças talvez sirvam para me lembrar do que aprendi…
Sabe o que quero de verdade?Jamais perder a
sensibilidade, mesmo que às vezes ela arranhe um pouco a alma. Por que sem ela,
não poderia mais sentir a mim mesma.” Clarice Lispector
Creio que minha
vontade de viver, pode ter mudado meu destino. Eu hoje andava pelas ruas do
centro de Diadema com um sorriso no rosto, feliz e grata, simplesmente por
estar ali andando pelas mesmas ruas que há um ano eram escuras e frias. E
parece bobagem, mas a sensação era “Não acredito que estou aqui, que um ano se
passou, que o tratamento acabou, e que hoje vislumbro um novo e encantado
amanhã, cheio de novas possibilidades, nova vida, novo emprego, novo namorado
(rs), novos amigos, novo cabelo, novos planos e metas,….
Eu pretendo em
breve fazer uma retrospectiva de fotos de 2013, algo que me lembre que 2013 eu
não apenas sofri… Mas que também me ensinou a “amar as pessoas como se não
houvesse amanhã”, pois de fato não há… Me ensinou a cantar todos os dias pela
manhã “ Eu agradeço, eu agradeço, eu agradeço, eu agradeço…”, simplesmente por
acordar plena de saúde e ter em frente um dia pra se viver… Me ensinou a “fiar
com” o mistério divino, que tudo sabe… Me ensinou a ter coragem, me falou sobre
desapego, entrega, confiança, amizade e sobretudo sobre fé.
Eu pretendo não
perder este sentimento que me emociona toda vez que me lembro de 2013… Eu sinto
vontade de chorar, não de tristeza, mas de alegria por ter superado tudo e de ter
uma nova chance para RECOMEÇAR!
Providencialmente, terminei o ano em cena com os meus alunos, inspirada pelas sábias palavras de Drummond. Registrei naquele momento o fim de um ciclo, e o início de um novo e belo Recomeçar!
terça-feira, 24 de dezembro de 2013
Feliz Natal!
No Natal de 2012 eu desejava apenas força e coragem... E naquela noite eu renovei a minha fé! E eis que fui presenteada o ano todo com muito amor, alegria, paz e saúde. E na noite de hoje, eu apenas agradecerei por todas as bençãos. E peço que seja renovada a esperança em todas aquelas pessoas que necessitam de cura, que estejam sempre amparadas pelo anjo protetor e que possam gozar de plena saúde.
Tenho me sentido muito emotiva, e a todo instante eu choro... Não de tristeza, mas de gratidão... Vejo que a tempestada já passou, e que ela nem foi tão devastadora quanto imaginava que poderia ser.
Eu agradeço aos meus pais por absolutamente tudo, por serem quem são e por me darem de presente irmãos tão incríveis como os que eu tenho, por nos ensinarem sobre amor, união, compaixão, respeito, amizade, por me encherem de alegria em cada encontro. Creio que este ano tenha percebido o quanto minha família é importante e essencial.
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| Isso por que a minha fé é infinita! |
Eu agradeço aos amigos que perto ou longe me mantiveram sorrindo, confiante e forte. Fico pensando como farei para retribuir todo o amor que recebi de cada um de vocês!
Sinceramente me faltam palavras para descrever tamanha alegria que sinto neste momento, estou viva, gozando de plena saúde e com forças renovadas para recomeçar. Não creio que a cura tenha sido a maior das bençãos que recebi, mas sim o próprio Câncer que me proporcionou mudanças necessárias, paisagens novas, óculos novos para se ver com clareza a beleza de viver.
UM NATAL ILUMINADO A TODOS, REPLETO DE SAÚDE E ALEGRIA.
UM NATAL ILUMINADO A TODOS, REPLETO DE SAÚDE E ALEGRIA.
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