quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Um final sempre é um novo começo...

Fim dos ciclos de quimioterapia, e com isso fim das sensações estranhas e malucas, das dores pelo corpo, do mau estar, e finalmente da eliminação do corticóide, que me fez engordar quase 10 kilos (rs)...

Este momento representa o fim de muitas outras dores, incômodos e frustrações, e tudo aquilo que não me serve mais com certeza vejo ficando para trás... E agora pelos meus cabelos vejo o novo nascer, e desejo sentir novamente a sensação de bem estar e saúde plena.

Rosas de Luiza Gentile.
Em cada sessão de quimioterapia, eu ganhava uma rosa de uma amiga e vê-la desabrochar ao longo dos dias, era como se a partir dela eu pudesse também adquirir a capacidade de desabrochar... E agora, no fim, ganhei a rosa que mais se abriu... Não vejo como um mero acaso... Nós nos abrimos juntas!

Na última sessão, o dia fluía como se algo mágico estivesse acontecendo... E estava! Eu tinha dentro de mim um desejo enorme de festejar e comemorar, de gritar, chorar e de estar próximo de quem esteve comigo estes meses todos... A única coisa que consegui pedir, foi para que a amiga que me levou na primeira sessão, me levasse na última... E desta forma eu daria por encerrada esta fase... “Missão dada é missão cumprida!” (rs)... Mas...

" Nenhum caminho é longo demais...
Quando um amigo nos acompanha..."
( My God is my Life) 
Eis que o inesperado acontece... Quando entro no quarto, deparo com as Jows... Mulheres “Jowtromundo”... Quase todas me acompanharam nas sessões de quimio, elas revezavam entre si e entre meus familiares... E neste último dia, estavam todas lá... Com bexigas coloridas e champagne... Era a festa que tanto queria... E foi o susto mais incrível que já tomei, e um dos momentos mais especiais de toda minha vida... Não só pela surpresa, mas por terem concretizado tudo o que estava sentindo... Alegria, gratidão, amor e muita união! Chorei de alegria, tremi igual vara verde e sentia meu coração saltando pela boca! (rs)...

Não só dançamos nos palcos da cidade, como também dançamos nos palcos da vida... E este foi o melhor espetáculo dos últimos tempos!

Enfim... Hoje me sinto mais leve, confiante e sem dúvida mais feliz... Vejo que ao longo destes meses deixei algumas malas no meio do caminho, embarquei em uma viagem sem destino...

Agora um novo ciclo se inicia... Seja bem vindo!

                                                                                                                                                                                                                                     RTZB

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Inesperado...

Houve um tempo em que eu programava cada segundo do dia... Me irritava acordar e não saber a ordem das coisas, ficava aflita! Eis que aparece o tratamento na minha vida, me lembrando, que não há planos ... O segundo seguinte foi e sempre será uma grande incógnita... Descobri que o dia é simplesmente um infinito imenso de possibilidades! E ultimamente tenho me entregue a este infinito, que na verdade é um grande vazio... Me sentindo plenamente em cada segundo do dia vou colhendo os bons frutos de cada instante... E descobri que é muito mais divertido não saber o que vai acontecer... Eu tenho obviamente alguns compromissos, e uma certa rotina estabelecida... Mas os buracos "vazios"  são os que colorem o dia! 

Templo Zu Lai
É se permitir encontrar um amigo no banco e ali ficar sem pensar nas horas... Receber um convite para um simples almoço e perceber que na verdade está indo passar a tarde em um Templo Budista belíssimo... Pular de alegria quando um amigo que praticamente mora do outro lado do mundo, quer lhe encontrar e você estar totalmente disponível pra isso... É receber visitas inesperadas, presentes coloridos, simbólicos e sagrados!

E então os buracos vazios são preenchidos assim... De forma surpreendente!


segunda-feira, 22 de julho de 2013

Para quê?

Sinceramente não me interessa saber o por que eu recebi um diagnóstico de Câncer de Mama, eu sei da minha responsabilidade nisso, entendo que minhas atitudes e pensamentos promoveram isso em minha história, mas neste momento não quero saber o que me levou a viver isso... Também entendo que existem situações que temos que vivenciar nesta existência, pois um acordo fora feito antes de aqui chegar... Então senão há como fugir ou negar, há de viver em plenitude seja lá o que for!

 
Digo com isso, que hoje me interessa saber o que farei a partir de agora... Com todas as reflexões e mudanças, adquiri outros olhares, pensamentos, e até outras perspectivas. A questão é exatamente essa, o que fazer?

Os caminhos agora são outros, não posso crer que tudo será como antes... Pois não será! É disso que pretendo me ocupar neste momento, vislumbrar estes caminhos e construir uma nova trilha...


Um passo de cada vez, mas sempre avante!
RTZB
♫♪ Todos os Caminhos - Lenine ♫♪

"...Por tudo que eu andei
E o tanto que faltar
Não dá pra se prever nem o futuro
O escuro que se vê
Quem sabe pode iluminar
Os corações perdidos sobre o muro
E o certo que eu não sei o que virá
Só posso te pedir que nunca
Se leve tão a sério, nunca
Se deixe levar que a vida
A nossa vida passa 
E não há tempo pra desperdiçar..." 

domingo, 14 de julho de 2013

Luz...

Odeio sentir apatia... Odeio sentir a ausência da vontade... Odeio não sentir prazer... Odeio me ver jogada sentindo ausências e tristezas... Frustrações e desencantamentos... E quando isso acontece, meu único desejo é de fazer tudo sumir em instantes... Tudo se apagar para quem sabe clarear... E quando sinto um aperto no peito e um nó na garganta, é quando tudo transborda... E eu sinto a dor da angustia que me prende nesta apatia... Nula ação... E quase uma anulação de mim mesma... Uma negação dos sentimentos mais medíocres... E a não existência de ação... Eu espero tudo se apagar... Eu desejo que tudo se apague.


RTZB



quarta-feira, 10 de julho de 2013

Reencontrando...

Pois eu me rendi, depois de alguns dias fingindo estar bem... Me entreguei aos cuidados de uma boa cama, remédios e alguns bons filmes! Meus planos eram de voltar as atividades físicas, dançar, e retomar uma rotina cada vez mais distante de casa... Apenas me esqueci que planos são feitos para não darem certo, e cá estou... Me recuperando de um resfriado e uma sinusite, como diria meu pai "frescurite aguda". 

Não tenho me lembrado do Câncer, e quero cada dia mais me distanciar desta tormenta... E o fato de ver o fim do tratamento, me enche de vontade e desejo de voltar a ter uma rotina sem tantos cuidados e medos... Mas ver o fim, não significa estar no fim. E talvez essa seja a minha grande frutração hoje, me senti saudável e fiz planos... Que não se concretizaram.

Meu corpo novamente pediu quietude e repouso... E por mais que este não seja meu desejo eu lhe dei voz... E me aquietei. Alguns dias sob o cuidado e zelo de um bom chá quente, me farão bem. 

E por mais que paciência me falte, por mais que eu diga "não aguento mais", e implore o fim logo... Este momento é só parte de um longo e intenso processo de mudança. Aquisição de novos valores, novas metas, um jeito talvez dolorido de encontrar o caminho do meio e de quem sabe ser quem eu poderia ser.

Tenho me esquecido de agradecer... Quando vejo amigas em tratamentos tão mais doloridos que o meu e quando percebo meu egoísmo diante disso tudo... Me entristeço. Não devo me importar tanto assim comigo, acabo transformando um simples resfriado,  em uma sinusite, uma tosse barulhenta e uma voz afônica. 

Talvez eu queira chamar atenção de todos com o meu barulho, simplesmente para que olhem para mim... Pois nada consigo dizer. 


                                                                                                                                                                                                                                    RTZB

Em repouso... Em silêncio. Reencontrando a paz!

sábado, 6 de julho de 2013

Eterno pulsar...

Em alguma das lindas praias do Espírito Santo.
 
A  vida é um eterno pulsar, um movimento constante de contração e expansão... As vezes me encontro tão dentro de mim, que desfruto de adorável companhia, da graça e a beleza de ser e estar onde estou... E instantes em que preciso desfrutar de outras presenças, companhias, lugares,... Compartilho com o outro tudo aquilo que encontro dentro de mim. Melhor do que julgar o que é certo ou errado estar dentro ou fora, é sentir e perceber esta constante pulsação...

Eu preciso me descobrir cada vez mais para desfrutar deste pulsar... É um eterno entrar e sair... Lido com inquietações, tristezas, frustrações, ansiedades que parecem estar fora... Preciso adquirir sabedoria para lidar com tudo o que vejo, que são apenas reflexos daquilo que existe dentro de mim.
 
Estes dias pensei que houvesse me perdido, que tivesse me distraído com tantas saídas de dentro... Me julguei, critiquei, e me frustei. Até perceber este pulsar... Este ir e vir...
 
RTZB
 

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Despir...

Se colocar a disposição das descobertas é uma tarefa que requer coragem, é confuso e dolorido. É descobrir quais armas falsamente me protegiam e quais máscaras me esconderam estes anos todo. Eu percebi que somos todos orientados pelo sistema, e convencidos a nos esconder cada vez mais dentro de si e por isso nos perdemos de nós mesmos.

Não choramos o quanto gostaríamos e se quer percebemos o que sentimos, nossas emoções são distraídas e acabam se perdendo mundo adentro e mundo a fora; nossas responsabilidades recebem o nome de culpa, de si mesmo e do outro, e assim um peso vai se instalando em nossos ombros; nossas dores são disfarçadas com remédios; nossas crianças distanciadas de suas infâncias; a mídia nos contamina exarcebando o caos e nos convencendo de que o consumismo é a salvação; vamos nos tornando cada vez mais cegos a nós mesmos, esquecemos quem somos, de onde viemos e para onde vamos...

Precisamos resgatar nossa história... Somos pó estrelar, viemos das estrelas e pra lá retornaremos. Somos em essência seres de luz! Mas sinto que podemos nos perder em nossas próprias sombras... E olhar para elas é um ato de coragem, e creio que seja a minha rendição.

Me render no sentido de abrir mão do controle em busca da perfeição e assumir humildemente minhas fragilidades, crenças e paradigmas! Desejo me livrar da armadura, quero me despir dos disfarces, aceitar a condição de ter me servido disso tantos anos, mas em tempo hábil de seguir mais leve e livre...


Descobrir-se quem se é, é um processo lento e de uma existência toda. Mas compensador pela beleza e graça de aceitar-me como sou, perfeita em minhas imperfeições! Isso tudo pode ser utópico, mas é o caminho por onde desejo seguir... Em minha utopia sigo acompanhada de seres de luz, guias e mestres desta e de outras dimensões.

Sigo nua em meus cabelos, fortalecida pela minha própria dor, grata pelos encadeamentos felizes, e exercitando cada vez mais a paciência e buscando desfrutar de minha plena presença sem julgamentos, ansiedades e medos. Não digo ser uma simples tarefa, mas talvez a única que me fez sentido até agora.