quinta-feira, 8 de junho de 2017

Hoje eu sinto dor


Aprendizes do Ateliê de Dança Contemporânea da
Fábrica de Cultura Cidade Tiradentes - 2016.
Performance concebida a partir da apreciação
crítica e estética das obras de Pablo Picasso.
Desabafo de uma arte educadora. "Passo o dia criando... Experiências, cenas, possibilidades... Estudo músicas, sonho com aprendizes, com coreografias e assim vou vivendo e sonhando um mundo melhor. Vou me transformando em cada encontro, e me sinto grata por isso. Mas... tem instantes em que eu me pergunto, o que fazer, como fazer, por que fazer... Em muitos momentos peço ajuda ao plano Divino para que me orientem... O que as vezes acontece e me sinto um gigante... Mas, também acontece de me sentir incapaz... De não saber o que fazer... De não saber como ajudar... E de perder a força diante da realidade que se apresenta... A ponta de um iceberg parece bonito, quando não vemos o que está por debaixo das águas... Preciso fazer mais!

E fico aqui pensando como mudar um sistema que dissocia a arte da educação, como transformar um sistema educacional letárgico, como fazê-los (me refiro ao sistema) compreender que estar envolvido em um processo artístico pode trazer um bem estar físico e emocional ao indivíduo.... Como dizer que os Programas de ARTE EDUCAÇÃO são necessários, urgentes e potentes para termos indivíduos íntegros, conectados consigo, com o outro e com o todo...


Como transformar esta fala, aparentemente romântica em dados reais da transformação e do impacto que a arte tem na vida do indivíduo. Se alguém souber, se alguém quiser pensar sobre isso, se alguém tiver algum depoimento por favor compartilhe comigo... Hoje acordei perdida, sem saber o que fazer, me sentindo incapaz... Mas com um desejo imenso de fazer algo para que a arte atravesse a humanidade com a sua força avassaladora... Afim de termos, indivíduos inquietos, curiosos, críticos, criativos, sensíveis, e tantos outros adjetivos... Por que ver a vida de um jovem se findando pelas mãos da ROTA dói, por que ver indivíduos perdendo sua dignidade dói, por que ver crianças em estado de depressão dói... Hoje eu sinto dor!”

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Quando lutar é uma escolha!

Tenho trabalhado bastante... E quando digo bastante, me refiro a capacidade máxima daquilo que posso e sei fazer... Sinto que ultrapassei o limite nos últimos dias, o que não é bom. Mas, quando penso em reclamar, me lembro da sensação de ver os dias passando pela janela e eu ali em pausa... Então, não me sinto no direito de resmungar pois eu desejei isso tudo e mais que desejar eu me posiciono e me coloco em ação para que eu esteja em constante movimento... E desta forma, as oportunidades surgem e com elas as responsabilidades... Agora vem a questão maior desta reflexão toda: O risco de se estar saudável é se sentir invencível  e forte o suficiente para correr 3 maratonas no mesmo dia... A queda pelo cansaço não vem no fim do dia, pois a sensação de invencibilidade não permite... Mas a queda vem, de formas variadas ela arrebata o CORPO em uma exaustão dolorida e resistir não faz sentido... Há de se cair. Trazendo a compreensão da vulnerabilidade da vida... Somos seres instáveis tentando a estabilidade. Somos seres mutantes tentando a petrificação. Somos seres frágeis tentando ser fortalezas. Sou instável, sou mutante e sou frágil e isso não faz de mim alguém de mais ou menos valor... Faz de mim um Ser Humano. Não sou máquina, não me preocupo em render cada vez mais, me preocupo em Ser cada vez mais... E Sou quando danço, quando leciono e quando crio... Sou artista. O que me faz ter outra lógica de existência... Se é que existir pode ter lógica... Estar hoje no AC Camargo trás a lembrança de quanto eu lutei para continuar Existindo, da leveza que aquela luta tinha e sobretudo da queda inevitável que tive no fim da luta... Eu posso lutar com suavidade,  poesia, afeto, duros combates não me cabem mais... O único duro combate que não pude evitar foi a favor da minha existência, e ainda assim foi um combate repleto de suavidade... Então, eu sigo lutando, respeitando quem carrega a força dura de combate, mas eu aceito minha força sutil de combate. E se cair, me darei tempo para me reerguer... Consciente de que o movimento é constante e hoje sei que quando me sentia em pausa, o movimento acelerado de transformação acontecia dentro de mim. 

domingo, 17 de janeiro de 2016

Corpo. Espaço. Tempo. Enfim... Movimento.

Há quem diz que a Dança é a arte do movimento. E a história evolutiva do Homem nos mostra que mover-se é inerente ao Ser Humano. Notamos que estamos em movimento o tempo todo, dos ciclos da respiração, aos ciclos da lua. Talvez, dançar seja simplesmente isso, um processo de reconhecer e perceber os movimentos que nos cercam... Nos tocam... E nos fazem transcender. 

Difícil é em tempos de caos, parar para sentir. Podemos não querer parar, e tampouco não querer escutar. Não escutar as fagulhas e murmúrios que a todo instante ele, o corpo, resmunga. Corpos fragmentados imploram por ajuda.

O corpo não mente, e além disso ele conta nossas histórias. Jean-Yves Leloup diz “O corpo é nossa memória mais arcaica. Nele, nada é esquecido”. Todos os acontecimentos de nossa existência, da infância a vida adulta ficam registrados em nosso corpo e deixam marcas profundas, cada qual com um sentido há ser desvelado.

Como adentrar o universo particular? Para que reconhecer as fragilidades e os limites? Aquiete-se, confie e adentre. Pode ser surpreendente. Descobrem-se habilidades, ampliam-se as fronteiras dos limites, e principalmente pode se tornar conscientemente responsável por suas escolhas.

Estruturados no Cartesianismo, podemos por meio do movimento, resgatar a UNIDADE perdida no dualismo, corpo e mente. Sociedade alienada, corpos desconectados, emoções anuladas. Essa é a herança que temos hoje. Executamos o que todos executam, repetimos sem se quer saber por que e sentimos o que mesmo?

Não temos mais tempo! Precisamos urgentemente relembrar a harmonia presente nos movimentos cíclicos do nosso corpo, que acontecem a todo instante dentro e fora de nós.

Estudos dizem que vamos ao longo da vida criando em nosso corpo couraças de proteção, comportamentos enrijecidos e consequentemente um corpo resistente, inflexível e sem vida. Costumo perguntar o que acontece com uma poça d´água parada? Cria lodo e transmite doença. Pois é essa, a imagem que tenho de um corpo que não se movimenta, a energia não circula, gera desarmonia, desintegração e doença.
"Que tudo que é pesado torne-se leve
Que todo corpo vire bailarino
Que todo espírito vire pássaro!"
0mar khayãm

É fácil encontrar por aí, quem houvesse um dia tido o sonho de se tornar uma bailarina. Permitir-se ainda que tardiamente, vivenciar este sonho, pode significar um encontro consigo mesmo, um resgate de algo que se perdeu no tempo, em meio a tantas obrigações e fazeres de uma vida corrida. Dizemos não ter tempo para nada, e quando vemos o tempo passou e nossos desejos mais sinceros foram guardados, quase que escondidos em compartimentos secretos. Se propor a resgatar este sonho pode desfazer a angústia que muitas vezes o avanço da idade e a falta de mobilidade cria, ou simplesmente pode trazer a alegria e o prazer que a movimento proporciona. 

Aquele que inicia uma vivência com a dança, realiza uma atividade física e artística, proporcionando a integração entre razão e emoção, ampliando a percepção de si, do outro e do meio, estimulando a imaginação e a criatividade, despertando a intuição e o sentir das emoções, além de propor o reconhecimento de sua estrutura física por meio da consciência corporal, o que gera aceitação de seu corpo como é, com suas qualidades e limitações.

Tenho visto em sala de aula, mulheres de 30 a 70 anos se propondo a adentrar o universo da dança, com entrega e verdade. Cada descoberta de movimento um sorriso largo no rosto, um olhar marejado, um abraço apertado e um desafio cumprido.

Mulheres que passam a reconhecer o movimento leve e sutil da respiração. Permitem pouco a pouco que o peso do corpo repouse no solo. Corpo, morada, casa de abrigo e cuidado. Livres, os corpos se lançam em aventuras pelo espaço, exploram a sutileza do feminino e a força do masculino. Desabrocham. Criam elos entre os diferentes. Flertem seus joelhos reverenciando a vida.

Posso perceber nos corpos que adentram a sala de aula, um desejo desesperador de aquietar o corpo e silenciar as preocupações. Buscam leveza e flexibilidade, a princípio nos movimentos, mas percebem aos poucos que o pensamento também dança, flutua, voa. Tudo é uma coisa só. A verdade de cada uma, passa a ser expressada por movimentos que transbordam beleza e sutileza. Nenhum movimento é em vão. Não se tem a pretensão de exibir virtuosismo técnico. O único desejo: expressar em movimento o que as palavras não podem dizer.

Referência

- LELOUP, Jean Ives. “O corpo e seus símbolos.” – Petrópolis, RJ: Vozes, 1998.



 
"Sentimento de liberdade,
Alegria, paz... Me encontrando,
E rompendo barreiras,
E voando como um pássaro,
A procura de mim mesma"...

Ivanilde Araújo -
Aprendiz do ateliê de Dança Contemporânea da Fábrica de Cultura Cidade Tiradentes





FERNANDO PESSOA EM MOVIMENTO

Desfrutem um pequeno registro do encerramento do ateliê de Dança Contemporânea da Fábrica de Cultura Cidade Tiradentes, o processo se desenvolveu a partir da inspiração poética da obra de Fernando Pessoa.

“Não digas nada! Nem mesmo a verdade. Há tanta suavidade em nada se dizer. E tudo se entender...” (Fernando Pessoa). E tudo se sentir por meio do movimento que atravessa estes corpos cotidianos, de pessoas comuns que ao mesmo tempo dialogam com o universo da arte contemporânea. Transformando limites em possibilidades. Palavras em movimento. Poesia em dança. Preenchem o silêncio com suas histórias e caminham em direção a si mesmas.  
 

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Novos tempos...

Alguns dias se passaram desde o último post. E eu fico me perguntando, o que tem acontecido com as palavras que escorriam de meus pensamentos... Não sei. Cheguei a pensar que meu olhar pudesse ter perdido a poesia. Mas entendi, que agora os tempos são outros, a rotina de exames, médicos, medicações e cirurgias ficaram lá trás... Em um tempo distante, apesar de as vezes se aproximar em minhas lembranças... Sei que está distante, e ficará cada vez mais.
 
Percebi que tenho me esquecido daqueles dias, nem lembro mais como eram... Hoje, desejo um dia de trabalho com a leveza de uma tarde de domingo. Quero poucos por perto, poucos mas bons amigos. Trocar "eu preciso" por "eu gostaria". Eu gostaria de estudar mais, viajar mais, sorrir mais, dançar mais... Cuidar do meu corpo, não me importa barriga sarada e braços fortes, me interessa organismo vitalizado, pleno e saudável.
 
Agora reconheço a poesia para além das minhas fronteiras, me reconheço e me transformo em cada encontro... Em cada gesto realizado por crianças, jovens e adultos que movem seus corpos livremente no espaço/tempo raro do agora. Raro, pois estamos cada vez mais distante do presente, ora estamos acorrentados no passado, ora ansiosos no futuro. E o presente passa por nós como fagulhas do tempo...
 
Eu que tento evitar as más notícias, não por covardia, mas por preferir o encanto e beleza das boas noticias. Busco reconhecer instantes de gentileza, compaixão e gratidão... Instantes que reconheço nas ruas agitadas de São Paulo, no ambiente de trabalho, na fila do supermercado, no passeio no parque... São estes momentos que renovam a minha esperança na humanidade.
 
Digo ainda, que sou privilegiada em trabalhar com a arte da educação, ou a arte do movimento, ou apenas a arte de compartilhar saberes e se transformar em cada encontro. Encontrar-me todas as vezes em que o outro me surpreende, não por eu desacreditar de sua capacidade, mas simplesmente por eu reconhecer que a arte, essa que escolhi como ofício, será por fim a nossa única salvadora.
 
Sacrifícios, sagrados ofícios realizados diariamente para não permitir que a arte criada por aqueles que expressam sua verdade de forma simples e sublime sejam anulados... Anulados por uma sociedade corrompida. Desejo que seus olhos continuem olhando para o horizonte de forma íntegra e criativa, que possam cada vez mais criar poesias, textos, danças, cantos...
 
Assim será as próximas postagens deste blog. Minha saúde deixa de ser o que me importa, apesar de ser a única coisa que verdadeiramente preciso me importar, afinal de contas se eu não exercer o cuidar para comigo, quem exercerá? Mas, isso eu já entendi. Posso agora virar a páginas deste livro... Ou quem sabe iniciar uma nova história, agora repleta de encontros, de saberes, de alegrias e de muita... Muita esperança.  

"Mãos que dançam e colorem a humanidade com entusiasmo.
Mãos que tocam o outro com cuidado e respeito.
Mãos que agem juntas em busca de algo.
Algo que transborde de si.
Uma palavra. Um gesto. Um olhar.
Algo que toque o outro.
Algo que transforme!"

Ateliê do Projeto Espetáculo da Fábrica de Cultura Cidade Tiradentes.
Processo de criação do espetáculo " Mariana"
 
Marília Costa.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Fugindo de Chronos


31 anos comparados aos 114 anos que minha tataravó viveu o que são... Nada!

Estes dias me surpreendi ao responder a pergunta de um amigo:
- E ai, correndo muito?
- Não, resolvi parar correr!
Pois é, nunca antes a composição de Almir Sater fez tanto sentido... “Ando devagar, por que já tive pressa...”. E não por que cansei, poderia continuar correndo, me envolvendo em vários projetos, muitos trabalhos, compromissos, tudo muito... Mas pra quê? Apenas para elevar meu ego me exibindo por aí com aquilo que fui capaz de fazer, ou fazer por que a sociedade atual me cobra! Ela diz: acorde cedo (muito cedo), ganhe dinheiro, pague suas contas, faça compras, adquira bens, sorria sempre e lembre-se de se divertir. É isso que tenho ouvido dela. Corra. Produza. Sucesso. Seu tempo é agora. Diante disso o que escuto dos meus amigos é “Estou cansado”. ”Eu só trabalho”. “Não tenho tempo para nada”. “Dinheiro que é bom, nada!”. Sinceramente quero ser livre, e não escrava deste maldito tempo, que quanto mais corremos mais ele parece acelerar.
Na mitologia grega, Chronos era a personificação do tempo. Li que em sua jornada ele come seus filhos, o que não deixa de ser um aspecto do tempo, devorador. Ele consome todas as coisas, o passado, o futuro e tem devorado o presente de todos nós.
Tenho me dedicado a lutar contra Chronos, não quero ver meus dias passar cheios de vazios. Essa é a impressão que tenho, estamos correndo sem se quer saber para onde e tampouco para que.
Correndo deixamos de aproveitar o caminho. Não apreciamos as paisagens, não sentimos os sabores e os aromas, não vemos as cores e as formas. Os sentidos se anulam e prol da visão que aponta o destino e pra lá vamos em desatino.
Meu maior medo é ser hipnotizada por Chronos, cair em suas armadilhas e me tornar sua escrava. Seu poder é capaz de anestesiar minhas emoções e sensações, me deixar oca por dentro.
Às vezes me sinto indo pela contramão. Não acordo muito cedo. Não trabalho exaustivamente. Não tenho bens. Detesto shopping e tenho pavor de dívida. E por isso dizem que tenho a vida boa. Verdade, tenho mesmo. O que esquecem de pensar ao dizerem isto é que eu escolhi assim. E assim como você tenho ônus e bônus, que só eu sei quais são e tendo lidar bem com eles.
 
Trecho da poesia "Qualquer caminho leva a toda parte"
“Qualquer ponto é o centro do infinito.
E por isso, qualquer que seja a arte
De ir ou ficar, do nosso corpo ou espírito,
Tudo é estático e morto. Só a ilusão
Tem passado e futuro, e nela erramos.
Não há estrada senão na sensação
É só através de nós que caminhamos.

Tenhamos pra nós mesmos a verdade
De aceitar a ilusão como real
Sem dar crédito à sua realidade.
E, eternos viajantes, sem ideal
Salvo nunca parar, dentro de nós,
Consigamos a viagem sempre nada
Outros eternamente, e sempre sós;
Nossa própria viagem é viajante e estrada.”
 © FERNANDO PESSOA
11-10-1919
In Pessoa por Conhecer - Textos para um Novo Mapa, 1990
Ed. Estampa, Lisboa

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Fernando Pessoa me fazendo transbordar...

..." Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?..."

(Poema em Linha Reta - Álvaro de Campos)

Estou farta... Farta! Cansada de palavras esvaziadas de sentido.
Discursos rebuscados, pontuações corretíssimas.
Mas que em mim soam sempre com uma interrogação.
"Arre", me poupem dos falatórios.
Por gentileza, me encham de ações.
Me encham de corações...
De verdades, de sentimentos.
Me poupem dos gerúndios.
Onde estão "os presentes do indicativo".
Ausentes.
Fugindo das responsabilidades de sermos
Me cansam os falatórios, as regras e as obrigações...
Pior ainda são os achismos.
Estou farta de mestres ignorantes.
Me deixem errar. Me deixem cair.
Me ajudem a levantar,
Se não estiverem ocupados em seus discursos, é claro!
Sucesso!? Felicidade!?
Não há receita para isso.
Duvidem daqueles que dizem ter.
Há sim, muito trabalho e estudo.
Generosidade, humildade, ética e respeito.
E para isso tudo, há muito silêncio.
Quem muito fala sobre seus próprios louros
Transforma um ramo de loureiro e um mero adjetivo.
Perdem-se os sentidos.
Ganham a superfície do nada.
Boias flutuantes,
Na digna missão de salvar.
Salvem os falatórios!
Salvem-nos das palavras vazias de sentido.
Dos discursos rebuscadas.
E das inverdades profanadas.
Seja! Esteja!


Fernando Pessoa causa em mim um transbordamento de emoções e sensações...
E se me toca, eis que surgem as reflexões.
 


















sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Desconfio...

Desconfio! Desconfio das redes sociais... Me intriga as atrocidades que postamos e os julgamentos superficiais que fazemos de tudo e de todos. Também questiono a excelência com que cumprimos nossas funções cotidianas, sempre um grande sucesso. Será?! Inquieta-me a capacidade que estamos adquirindo para apreciar coisa ruim... Sim, pois eu mesma usei meu precioso tempo para ver o vídeo da MC Melody. Vejam que me inclui em tudo o que escrevi, mas tenho me educado para não ser um reflexo disso. Assim, exercito meu poder de escolha, para conscientemente fazer escolhas mais saudáveis, textos, poesias, músicas, imagens, e muito cuidado para não crer em falsas verdades distraidaments escritas e profanadas via facebook, whatsapp e instagran... É fato, que muito me servi desta tecnologia durante o tratamento que fiz, era um alívio compartilhar emoções e sensações e com isso receber muitos afagos e carinhos... Hoje sei que era pra isso, eu necessita de apoio, de um jeito sutil eu pedia ajuda, era um grito silencioso de socorro. Mas eu me preocupava em não ser apenas um poço de lamentações... Lamentos era o que eu mais tinha, motivos existiam de sobra... Mas de que me valeria o lamento pelo lamento? A reclamação pela reclamação?! Nada! Nutriria a dor dentro de mim e em todos aqueles que liam as postagens... Eu não mentia, tudo que escrevia era um esforço interno de busca da beleza e sentido em tudo aquilo que vivia. Hoje, distraída, permito que essa ferramenta tecnologica roube meu precioso tempo de vida... Essa vida que eu quase perdi, as vezes se limita a viver a experiência da tela... Um quadrado cheio de informações que vêem ao meu encontro trazendo a dimensão da futilidade e superficialidade que vivemos... E em poucos e raros momentos belezas me encontram. Vivo para ver beleza, nas paisagens, nos sorrisos, nas palavras, no movimento, no trabalho... Beleza... Harmonia... Dentro e fora. E fique claro que nos dias de hoje eu contínuo me esforçando para não me lamentar, carrego algumas tristezas e muitas marcas, além de ter novas dores, é claro.  Mas o esforço de ver beleza é o mesmo... 

quarta-feira, 24 de junho de 2015

“Sou um monte confuso de forças cheias de infinito...” Fernando Pessoa

São tantos os fantasmas que me cercam,
Tantos os monstros que me perseguem.
Tenho um grito preso dentro de mim...
Lágrimas teimam em cair.

Em uma noite escura eu entreguei a minha vida a Luz Divina,
Eu lutei com todas as minhas forças.
Vi muitas mortes acontecerem dentro de mim,
Mas vi nascer um solo fértil para o novo germinar.

E novamente noites escuras me assombram...
Inveja, mentira, ódio, ganância, intriga...
Eis o Câncer da humanidade,
Células malignas com grande poder devastador.

Corroem por dentro, devastam tudo...
Mutilam corpos sensíveis...
Eu me pergunto...
Existirá a cura?

Quando deixaremos os disfarces que escodem nossa verdade?
Quando retornaremos a nossa essência Divina?
Será possível aprendermos a amar incondicionalmente?
Eu quero crer que sim.

Pois me sinto assim... Doente.
Sinto-me no meio de um furacão de rancor e preconceito...
Sinto uma tempestade em mim...
A mesma que um dia devastou e transformou tudo por dentro...

O Câncer não foi capaz de me destruir.
Reconheci a força que tinha e lutei.
Quem sabe seja este, mais um aprendizado,
Eu preciso aprender a me defender.

Não quero e não irei lutar.
Minhas armas, eu uso para me proteger,
Minha fé, meu amor e minha luz.
Serão os antídotos que continuarei usando.

A esperança, uma espera dançante que flutua...
A fé, uma luz na escuridão...
O amor, uma chama sempre acessa...
A coragem, um suspiro profundo...

Minha existência, uma passagem...
Meus fantasmas dormirão em meu colo...
E meu corpo repousará nos braços de um velho amigo...
Um guia, um mestre, um anjo...

Acolhida por ti,
Estarei em paz.
Que assim seja.
Assim é e assim será!

Porto, Portugal.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Portugal ai vamos nós!

Pensando cá com meus botões... Ando recebendo tudo aquilo que desejo. Isso me faz crer que estou trilhando meu caminho alinhada com a minha missão. Talvez a doença tenha sido a forma que a vida encontrou para me mostrar as mudanças que deveria fazer... E foram muitas... Muitas mudanças no jeito de olhar, de sentir, de estar... De Ser! 

Eu que desejei tanto estar em Portugal, vejo este momento se aproximar... Passagens compradas e em maio estaremos lá por uma semana apenas, mas certamente será tempo suficiente para se eternizar em minha memória. Estaremos, sim... Eu e minha mãe, parceira nas horas difíceis, agora desfruta comigo das alegrias de minha nova vida.

Sou inteira gratidão! E espero poder honrar o meu Brasil na Europa, assim como desejo honrar a minha dança em solo Português. Já que os ventos lá me conduziram, que a força de minha mãe Iansã me preencha com sua coragem... O vento nunca morre, ele está sempre percorrendo novos espaços... E lá vou eu com o vento!

4ª Edição Encontro DançAlternativa -  Acesse o link!

22 e 23 de maio  - Aveiro / PORTUGAL

O Encontro DançAlternativa dá oportunidade a novos criadores para mostrarem projectos coreográficos dentro da área da Dança Performativa. Neste fim de semana, cheio de Arte, haverá, para além de diversas performances, workshops de dança para os níveis iniciado, intermédio e avançado.





Workshop -Inquieta Razão

Dança Contemporânea


O workshop propõe compartilhar de maneira prática e vivencial o processo de criação do espetáculo Inquieta Razão, que pesquisou a qualidade de movimento a partir da percepção física e emocional dos 4 elementos da Natureza - Terra, Água, Fogo e Ar. 

Inquieta Razão apresenta o encontro da arte e da vida. Um espetáculo-solo de dança inspirado nas quatro estações do ano como fases vivenciadas pela bailarina no processo de cura de um Câncer de Mama. Aqueles que permitirem serem tocados pela sutileza e beleza da obra terão a possibilidade de se encontrarem diante da infinitude da vida.

A partir do ciclo das estações e dos quatro elementos, o movimento da vida pulsa em seu corpo. Movimentos estes carregados de sentidos são suas lembranças revividas, pois o que sentiu jamais será esquecido.

Dançar sua inquieta razão é a possibilidade de se aquietar para aceitar, escutar e sentir as transformações acontecerem. Um momento onde razão e emoção, som e silêncio, palavra e movimento, música e dança, se fundem na plenitude do agora. 

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

É preciso saber viver...


“Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces.
Recomeça.”
Cora Coralina

Eu me lembro da madrugada do dia 31 de janeiro de 2013, o alarme do hospital tocou por engano, e não por engano eu acordei... Assustada e aflita, não pela sirena, mas pelo momento que estava vivendo. Minha cabeça doía muito, o ar condicionado fazia um barulho ensurdecedor, e eu sentia uma dor imensa no peito... Angústia, tristeza, medo, solidão. Chorava um choro contido e amargurado. Sentia raiva, muita raiva. As sensações ruins só aumentavam, implorava ajuda em oração... Hoje, sempre que digo “Seja feita a vossa vontade...” eu me lembro desta noite, era a única coisa que me tranquilizava um pouco, tinha fé que não seria desamparada. Sabe de uma coisa, talvez aquela tenha sido a noite mais longa da minha vida, a maior tristeza que senti e o maior medo que tive... O medo do obscuro, do desconhecido, ou talvez conhecida... A Dona Morte me visitou, a vi de perto e indaguei por que eu havia sido escolhida, por que tão cedo, por que doía tanto... Ela nada me disse, deu as costas e desapareceu. Adormeci, um sono profundo e iluminado. Sonhei que minha cama estava rodeada de anjos cuidadores, acordei com um cafuné na cabeça, eram alguns amigos... Não conseguia saber o que era sonho e o que era realidade. Depois vi meus pais, me despedi e segui... Não havia mais medo. Não sei o que houve nas 4 horas seguintes, adormeci enquanto mãos iluminadas cuidavam de mim e desfaziam o nó que eu mesma havia dado em meu peito. Desataram os nós, e eu desaguei as más águas... Chorei lágrimas de alegria com sorrisos de gratidão. Eu sabia, que nada mais seria como era antes. E tudo mudou, dentro e fora de mim. Se me perguntarem se me incomodo em não ter parte da Mama, certamente digo que não! É o símbolo da força e da coragem que hoje carrego em meu peito. Este momento será sempre lembrado como o início de um processo de renascimento... Eis me aqui agora, relembrando com emoção o que jamais será esquecido e constatando que a impermanência da vida é o que dá cor e sabor a nossa passagem por aqui. Nada é pra sempre, tudo é passageiro, transitório, tanto as alegrias quanto as tristezas. Eu sou gratidão, e neste momento sinto alegria pela vitalidade pulsando novamente em meu corpo.

Mãe, Pai e Irmãos! Minha vida, minha cura!


"Toda pedra no caminho, você pode retirar...
É PRECISO SABER VIVER"

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Que venha 2015!

Terminei o ano de 2013 certa de que sou mais forte do que imaginava, certa de que minha fé é infinita e de que milagres acontecem, certa de que meus pais e meus irmãos estarão sempre comigo, aconteça o que for eu estarei do lado deles, mesmo que estejam errados (rs). Certa de que companheiros de estrada existirão sempre, eles vão e vem o tempo todo, cada um no seu tempo e do seu jeito trazem uma palavra, um sorriso, um abraço, nos enchem de amor e alegria, mas seguem seus caminhos. E assim também são os amores, vão e vêm, mas vamos combinar que não há desamor, que mesmo quando eles se vão o amor continua ali, muda de lugar e de jeito, mas continua sendo amor. Gosto mesmo é dos amigos de estrada, estes serão poucos, daqueles que apertarão a sua mão quando o mundo desabar, daqueles que estarão firmes ao seu lado quando você soluçar de tanto chorar, mas também são aqueles que estarão ao seu lado quando você não precisar, estarão ali simplesmente por estar, para um papo furado ou um papo cabeça, para uma gargalhada ou uma cachaça, nas horas ruins ou boas eles estarão lá, acompanhando cada passo dado, que pouco importa se foi pra frente ou pra trás, estarão sempre perto, mesmo que distantes. Bom deve ser quando se encontra um amigo assim que transborde de amor, alguém inteiro de si que não venha para preencher os vazios, mas para dar sentido a todos eles, não sei você, mas digo por mim,  não preciso de alguém que  me complete, preciso é estar inteira de mim mesma, e só assim duas almas plenas poderão se encontrar. Metades não me valem, poucos não me bastam, quero muito, quero inteiro, quero pleno. Quero viver cada segundo da minha existência,  recebendo com gratidão todas as oportunidades, e aceitando com fé e coragem todas os desafios. Quero deixar o meu legado, seja ele um movimento, um suspiro, e por que não um sorriso, quero viver com a força de quem bate no peito e se entrega a escuridão das sombras e ao encanto das luzes. Creio que 2014 tenha sido isso tudo, um misto de alegria e tristeza, alegria por estar plena de saúde e tristeza por olhar para trás e lembrar das dores que senti. O que eu mais agradeço neste ano é poder sentir a vitalidade pulsando em meu corpo, só assim posso caminhar em direção dos meus sonhos. É... sem perceber em 2014 realizei uma porção deles, estabilidade financeira, apresentações, viagens e até temporada no SESC. Quando vi havia criado, dirigido e produzido um espetáculo, e sem perceber realizava o desejo de dar aula de dança para os adultos... Chego a conclusão que 2014 foi um ano generoso comigo, retribuiu em dobro tudo que 2013 parecia ter tirado de mim... Eu ganhei cabelos encaracolados que para mim simbolizam o processo de transformação e renovação da vida, o movimento incerto dos cachos me dizem que o que parece estar fora do lugar, está na verdade é no lugar que deveria estar... Não há certezas, não há formas, não há verdades absolutas, e se quer controle... Há movimentos soltos e livres, mas que dão a verdadeira graça e beleza aos cachos que balançam no caminhar desta moça que tem apenas um desejo para 2015: Estar plena.


terça-feira, 23 de dezembro de 2014

"Nada disso é em vão..."

Dezembro é um mês de lembranças... O mês em que vi minha vida virar do avesso... Perdi todas as certezas, mudei todos os planos e aceitei tudo que poderia vir... E o que aconteceu depois disso?! Bênçãos e alegrias... E isso só aconteceu por que eu me propus a não desistir mesmo querendo em alguns momentos. E foi assim... Foi superando uma doença que vi todos os meus medos se tornarem pequenos. Foi quando percebi que o bom da vida é o risco... Viver é mesmo muito arriscado! Eu perdi o medo de altura, de gatos, de escuro, e até da solidão. Sou minha melhor companhia e tenho em meus pensamentos os melhores desejos, que aos poucos estão se realizando. Circulei com um espetáculo independente, fiz os cursos que desejei, viajei,trabalhei em lugares incríveis, com pessoas mais incríveis ainda. Sou pura gratidão, estou vivendo... 





"Viver, viver e ser livre
Saber dar valor para as coisas mais simples
Só o amor constrói pontes indestrutíveis "
Beco sem saída - Charlie Brown Jr.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Tentando me compreender...

Não sou sempre feliz como muitos dizem, tenho tantas lágrimas quanto sorrisos em meu rosto. Sou simples no jeito de ser, gosto de gente sincera, honesta e generosa. Não tenho pessoas especiais ao meu lado por que tenho sorte, mas por que eu as busquei e permiti que ali ficassem. E também não tenho sorte por ter um trabalho incrível, mas por nunca ter perdido o foco e a determinação. Não sou guerreira, nem vencedora e muito menos iluminada, apenas utilizei a capacidade que todos temos de superar os próprios limites, de caminhar com fé, amor e coragem... Chego a conclusão de que estaremos sempre só! É verdade que muitos me acompanharam quando mais precisei, mas a verdade é... Sou responsável por caminhar, por escolher o percurso, por errar ou acertar, por seguir ou parar... Não há quem faça por mim! Perdoo o que há perdão, e esqueço o que não há... Não julgo e não reclamo, aceito com gratidão tudo o que vida pode me oferecer, transformo as dores em amores, as pedras em flores... Eu confio no mistério do vazio que tantas vezes sinto dentro de mim, sei que ali existe infinitas possibilidades de criar absolutamente tudo que desejar.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Além de mim mesma...

As pessoas insistem em dizer que sou vitoriosa...  E eu sei que sou! Quando olho para trás e vejo o que fui capaz de suportar, eu realmente me sinto assim... Sei o quanto tive que ser forte para não sucumbir, usei todas as armas que encontrei pela frente, me vesti com armaduras e parti para a guerra. Mas isso não faz de mim alguém especial, iluminada, evoluída,... Apenas uma menina que se transformou em mulher e aceitou os desafios que recebeu. Essa capacidade de vencer, todos temos. Eu apenas reconheci essa força e a usei... Essa força é a mão divina tocando o coração e enchendo-o de vontade de viver.

Eu não era assim... Eu não me sentia em paz... Virginiana, perfeccionista, cheia de manias e chatices, insegura e frágil... Se eu mudei? Não! Continuo sendo virginiana, perfeccionista, cheia de manias e chatices, insegura e frágil... Mas agora respiro fundo, confio naquilo que não posso ver, me aceito como sou e cuido de mim. Sei o que me faz bem, e também o que não me faz... Penso primeiro em mim. Egoísmo? Para alguns, talvez! Para mim, amor incondicional a vida que habita em mim!

Quando não se tem medo, a vida se torna uma grande aventura... Eu achava que minha vida ficaria estagnada, é verdade que ela parou por um período. Foram meses pensando o que de fato eu queria da vida... Quais eram meus sonhos? Eu havia me esquecido deles, precisava desta pausa para relembrá-los... O que perdi neste tempo!? Apenas um quadrante da mama, por que todo o resto eu ganhei... Sonhos e desejos renovados, cabelos encaracolados, determinação, confiança, fé e alegria.

Sabe... Eu vejo todos os dias as cicatrizes que o Câncer deixou em mim, marcas que levarei por toda a vida, e que não me fazem menos mulher, nem menos bonita, apenas diferente. É exatamente neste diferente, que eu reconheço a minha real beleza e o meu verdadeiro valor, que não está na estética de um corpo perfeito... O corpo mudou... É isso, a matéria mudou, mas o que existe dentro não... Sei que sou muito mais do que cabelo e peito. É fato que nunca fui muito vaidosa, mas confesso nunca me senti tão linda quanto nos dias que estive careca, eu finalmente me reconhecido como mulher.


Eu tive Câncer de Mama aos 28 anos e não sei quando essa história se tornará passado, ela é viva e presente em meus dias, me faz pensar e principalmente agradecer a saúde e a vitalidade em meu corpo e agradecer o quanto generosa a vida têm sido comigo me presenteando com momentos encantados ao lado de pessoas especiais. 

Com Iara Odete.
Foto de Marion Caruso

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Inquieta,

Tenho me perguntado por que as palavras não mais conseguem expressar tudo aquilo que sinto... Continuo tendo reflexões, questionamentos e insights, mas que não conseguem voar... Talvez as palavras tenham se transformado em movimento, já que agora voltei a dançar e tenho dito com meio corpo aquilo que desejo.

Sabe um daqueles livros que tocam no fundo da alma e que precisam ser lidos muitas vezes ao longo da vida? Para mim “O Pequeno Príncipe” é um desses, leio, releio, revivo e vivo... E cada leitura me transforma e me transborda, me faz olhar um mesmo ponto de diferentes formas. É desta forma que sinto ser o Câncer em minha vida... Um livro que me devorou pelas entranhas, me remoeu por dentro e me transformou. Desejaria esquecer tudo que vivi e senti, mas esta história é a minha história, e não há como esquecê-la, está presente nas marcas que deixou em meu corpo, nos sintomas poucos, mas que ainda existem, e principalmente nos detalhes, como ver o cabelo crescendo. 
É um daqueles livros que terei em minha memória para sempre... Hoje, me sinto saudável e tenho a obrigação de agradecer e valorizar este bem tão precioso, a saúde. Muitos renegam o próprio corpo, o maltratam, o intoxicam, sem ter a consciência de quantas pessoas enfermas desejam estarem apenas saudáveis. 

No final de 2013 eu ouvia muito uma música que dizia “E quando cessar a tempestade e vislumbrar novo amanhã.... Que é força e coragem pra seguir viagem. Filhos que têm fé...” Eu me lembro do quanto desejava que dias como os de hoje chegassem, dias em que eu estivesse trabalhando, aprendendo e descobrindo cada vez mais sobre mim, sobre o ser humano, sobre a vida, sobre a dança... Eis então, que hoje me vejo assim...

Sem medo cai no mundo.
Na brisa que faz rodar.
Toda dor do meu passado.
Sorrindo quero dançar. 

E para minha alegria, tudo que foi desejado em relação ao trabalho "Inquieta Razão" têm acontecido, sinto que bons ventos sopram a favor, digo que reviver essa história não é uma tarefa fácil, mas necessária. Então, é sem medo que eu sigo dançando e cumprindo com a missão de transformar toda dor que senti, dizendo a mim mesma o quanto este processo longo e intenso deve ser olhado com respeito e gratidão, por todas as mudanças que aconteceram em mim a partir dele, por toda a coragem e fé que hoje existe em meu coração, por todas as pessoas que estiveram ao meu lado, pela força que hoje me impulsiona a seguir e principalmente pela alegria que sinto, simplesmente por estar viva.

"Aquele que nunca viu a tristeza, nunca reconhecerá a alegria." (a.d.)

Tenho realizado um sonho. Eu sonhei este espetáculo, tudo que hoje acontecesse já havia acontecido em meus pensamentos... Essa semana o sonho se completará com a apresentação no SESC, onde terei comigo a médica Thais Kubota, a doutora que sensivelmente me deu o diagnóstico, ela não apenas irá assistir como também participará de um bate-papo com a platéia no final. 

Só posso agradecer, por essa e tantas outras oportunidades incríveis que tenho recebido!